Sheinbaum reage à reafirmação da Doutrina Monroe pelos EUA e critica agenda da direita
Presidenta do México defende soberania dos povos latino-americanos e afirma que projetos conservadores priorizam interesses de grupos poderosos
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, reagiu ao novo discurso do governo dos Estados Unidos em defesa da Doutrina Monroe e fez duras críticas ao que classificou como atuação política da direita internacional. A declaração ocorre depois de Washington reafirmar que a predominância norte-americana no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”.
Durante uma de suas conferências públicas, Sheinbaum afirmou que a disputa política na América Latina também envolve diferentes visões sobre soberania, democracia e desigualdade social. Ao defender o projeto político que chama de “humanista”, a presidenta mexicana declarou:
“A direita não defende os povos. A direita defende os interesses dos poderosos.”
Sheinbaum também associou a direita a posições autoritárias e criticou a ideia de que a pobreza seria resultado exclusivamente da falta de esforço individual.
“A direita defende que o pobre é pobre porque não trabalha, e não por um sistema que não permitiu que as pessoas pudessem prosperar.”
As declarações fazem parte de um discurso mais amplo no qual a presidenta mexicana defendeu a soberania nacional e criticou tentativas de influência estrangeira sobre a política mexicana. Em pronunciamento oficial, Sheinbaum afirmou que o México deve manter relações de colaboração com outros países, mas sem abrir mão de sua autonomia.
Doutrina Monroe volta ao centro do debate
A reação de Sheinbaum ganha peso diante da retomada explícita da Doutrina Monroe pelo governo Donald Trump. Em vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA, Washington apresentou a predominância norte-americana no Hemisfério Ocidental como um princípio estratégico que não deveria voltar a ser contestado. A publicação também relacionou episódios históricos e a política norte-americana recente na Venezuela à atuação dos Estados Unidos na região.
Criada em 1823 durante o governo do presidente James Monroe, a doutrina originalmente se posicionava contra novas intervenções e projetos coloniais de potências europeias nas Américas. Ao longo dos séculos XIX e XX, entretanto, o conceito passou a ser associado também à expansão da influência política, econômica e militar dos Estados Unidos sobre a América Latina.
“Defender a soberania”
Em seu discurso, Sheinbaum colocou a soberania mexicana no centro da resposta às pressões externas. A presidenta afirmou que seu governo acredita na igualdade entre as pessoas, na democracia e na liberdade, mas também no papel do Estado na promoção do bem-estar social.
A posição mantém uma linha que a mandatária mexicana já havia adotado em outras ocasiões diante de declarações de Washington: diálogo e cooperação com os Estados Unidos, mas sem subordinação. Em janeiro de 2025, por exemplo, Sheinbaum afirmou que o México defenderia sua dignidade e soberania e manteria relações com os EUA baseadas no respeito mútuo.
A nova declaração ocorre, portanto, em um momento de forte disputa sobre o papel dos Estados Unidos no continente. A retomada da linguagem associada à Doutrina Monroe reacendeu, na América Latina, o debate sobre soberania, autodeterminação dos povos e os limites da influência de Washington sobre os governos da região.



