Os Estados Unidos da América citam Doutrina Monroe e assinalam que vão intervir nas democracias sulamaricanas
Departamento de Estado resgata princípio criado no século XIX e apresenta a captura de Nicolás Maduro como exemplo da atual política de Washington para a América Latina
O governo dos Estados Unidos voltou a colocar a Doutrina Monroe no centro do debate sobre sua política externa para o continente americano. Em publicação divulgada pelo Departamento de Estado nesta terça-feira (11), Washington afirmou que o domínio norte-americano sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”.
O vídeo apresenta um retrospecto da doutrina formulada durante o governo do presidente James Monroe, no século XIX. Originalmente apresentada como uma advertência contra novas tentativas de colonização europeia nas Américas, a política passou, ao longo da história, a ser associada à ampliação da influência dos Estados Unidos sobre os países latino-americanos.
Segundo a publicação oficial, o princípio continua sendo uma referência estratégica para Washington. O Departamento de Estado afirma que aquilo que começou como um alerta à Europa evoluiu para uma política de predominância regional e permanece como uma espécie de “pedra angular” da estratégia norte-americana no hemisfério.
Captura de Maduro é citada como exemplo
Um dos pontos de maior repercussão do vídeo é a referência à operação que resultou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, apresentada pelo governo norte-americano como o exemplo mais recente da aplicação da doutrina.
De acordo com o material divulgado, a operação teria enviado um “forte sinal a todo o hemisfério”. Maduro foi levado aos Estados Unidos, onde responde a acusações apresentadas pelo governo norte-americano.
A utilização do episódio como exemplo contemporâneo da Doutrina Monroe reforça a mensagem de que Washington pretende manter uma atuação direta sobre questões consideradas estratégicas no continente.
Aproximação com governos de direita
A retomada explícita da doutrina ocorre em um cenário de mudanças políticas na América Latina. O governo de Donald Trump tem ampliado sua aproximação com lideranças conservadoras da região.
Na Argentina, Trump manifestou apoio a aliados do presidente Javier Milei durante as eleições legislativas de 2025. Na Colômbia, o cenário também mudou com a eleição de Abelardo de la Espriella, que assumiu a Presidência em 7 de agosto de 2026 após vencer o segundo turno contra o senador Iván Cepeda. A eleição representou uma mudança política em relação ao governo de Gustavo Petro.
Nesse contexto, a mensagem divulgada pelo Departamento de Estado pode ser interpretada como uma reafirmação da disposição dos Estados Unidos de exercer influência política e estratégica sobre o continente.
“América para os americanos”
A Doutrina Monroe ficou historicamente associada à expressão “América para os americanos”. O princípio estabelecia que qualquer tentativa de recolonização ou intervenção de potências europeias no continente seria considerada uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos.
Ao recuperar esse conceito em uma publicação oficial, Washington sinaliza que a ideia permanece relevante para sua política externa. A afirmação de que o domínio norte-americano no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado” dá à mensagem um tom particularmente assertivo e reacende discussões sobre os limites da influência dos Estados Unidos na América Latina.



