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Rui Costa reage à carta dos EUA: “Brasil quer negociar, mas nossa soberania não é moeda de troca”

Ministro da Casa Civil critica postura dos EUA e afirma que Brasil prepara medidas de reciprocidade caso tarifas sejam confirmadas. “Nunca houve comunicação diplomática como essa”, declarou.

Em entrevista concedida nesta terça-feira (30), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, classificou como “injustificável” a decisão dos Estados Unidos de anunciar a imposição de tarifas a produtos brasileiros e criticou a forma como o governo norte-americano comunicou o tema — por meio de uma carta divulgada em rede social.

“O Brasil quer negociar, mas nossa soberania não é moeda de troca”, disse o ministro, destacando que os EUA acumulam um superávit de 400 bilhões de dólares nas relações comerciais com o Brasil nos últimos 15 anos. “Não há razão econômica que justifique essa medida”, afirmou.

O comunicado americano, segundo Rui Costa, extrapolou os limites da diplomacia ao abordar temas considerados inegociáveis, como interferências em julgamentos conduzidos pelo Judiciário brasileiro e sugestões sobre como o país deveria regulamentar a atuação das big techs. “Nunca, na história das relações diplomáticas, vimos algo assim: uma carta pública em rede social tratando de assuntos que dizem respeito à soberania de um país”, criticou.

O ministro também reforçou que o governo brasileiro está tranquilo, mas atento. Segundo ele, o presidente Lula já reuniu a equipe econômica e comercial para definir uma série de medidas voltadas à proteção da indústria nacional, à diversificação das parcerias internacionais e à adoção de medidas de reciprocidade, caso as tarifas norte-americanas sejam de fato implementadas.

“Guerra comercial não é boa para ninguém. Se os EUA taxarem em 50% produtos como o suco de laranja, carne e café, quem vai pagar mais caro é o povo americano. Isso afeta a inflação deles e prejudica nossa economia também”, explicou.

Rui Costa revelou ainda que uma comitiva de senadores brasileiros — incluindo o senador Jaques Wagner — está em Washington tentando abrir diálogo com o governo norte-americano. No entanto, a Casa Branca tem resistido a abrir os canais de negociação. “Estamos dispostos a conversar, mas, até agora, os canais permanecem fechados”, lamentou.

Por fim, o ministro sinalizou que o Brasil já estuda alternativas para redirecionar suas exportações, como o aço e frutas, para outros mercados, reduzindo a dependência dos EUA. “Vamos trabalhar firme com um grupo técnico dedicado a esse tema. O Brasil vai defender sua soberania com firmeza e inteligência”, concluiu.

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