Economia

BeFly cresce sob questionamentos após escândalo do Banco Master e disputa envolvendo a Flytour

Expansão acelerada da gigante do turismo, impulsionada por aquisições durante a pandemia, entra na mira após investigações que atingem fundos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro

O crescimento acelerado da BeFly, uma das maiores holdings de turismo do Brasil, passou a ser alvo de questionamentos após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A empresa, criada em 2021 pelo empresário Marcelo Cohen, ganhou destaque no mercado ao adquirir dezenas de companhias em meio à crise provocada pela pandemia da Covid-19.

A estratégia agressiva de expansão incluiu a compra de marcas tradicionais como a Flytour, referência no turismo corporativo, além da Queensberry, voltada ao turismo de luxo, e da STB, líder no segmento de intercâmbio. Em pouco mais de dois anos, a BeFly acumulou cerca de 36 aquisições e projetava faturamento superior a R$ 10 bilhões.

Parte desse crescimento foi viabilizada por linhas de crédito e fundos ligados ao Banco Master, como o B10 e o TT. Com a liquidação da instituição financeira e a prisão de Vorcaro no âmbito de investigações sobre fraudes bilionárias, o modelo de consolidação da BeFly passou a ser analisado com maior rigor pelo mercado.

Atualmente, a empresa enfrenta uma disputa extrajudicial envolvendo justamente a Flytour, considerada uma das principais aquisições do grupo. O caso está em arbitragem na Câmara de São Paulo desde dezembro de 2025 e levanta dúvidas sobre garantias contratuais, avaliação de ativos e possíveis impactos da crise do banco nas operações.

Apesar das suspeitas, Marcelo Cohen afirma que o Banco Master não possui participação societária na BeFly, tendo atuado apenas como parceiro financeiro. Segundo o empresário, a companhia segue cumprindo regularmente suas obrigações e mantém padrões rigorosos de governança.

O imbróglio ocorre em um momento delicado para o setor, que ainda se recupera dos efeitos da pandemia. Para funcionários, clientes corporativos e investidores, a principal preocupação é se a operação da BeFly conseguirá se manter independente das irregularidades investigadas no sistema financeiro.

Enquanto isso, o mercado acompanha de perto os desdobramentos do caso, que pode redefinir a percepção sobre a consolidação do turismo no Brasil e os limites entre crescimento acelerado e riscos financeiros.

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