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Guga Chacra aponta silêncio estratégico de Trump sobre Lula em meio à crise entre EUA e Brasil

Em sua coluna no jornal O Globo, correspondente internacional destaca que, mesmo com ameaças de sanções e tarifas, ex-presidente dos EUA evita citar o nome de Lula e prefere elogiar Bolsonaro.

Em sua coluna publicada nesta semana no jornal O Globo, o correspondente internacional Guga Chacra chamou atenção para um comportamento curioso e revelador do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: mesmo diante da maior crise nas relações entre EUA e Brasil nas últimas décadas, Trump nunca mencionou publicamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Chacra, o silêncio de Trump ocorre em meio a um cenário de forte tensão diplomática, com ameaças de tarifas de até 50% e outras sanções sendo debatidas em Washington contra o Brasil. Ainda assim, o ex-presidente republicano — conhecido por atacar diretamente líderes com quem discorda, como Justin Trudeau (Canadá) e Volodymyr Zelensky (Ucrânia) — jamais citou Lula nominalmente em discursos ou publicações.

“Trump jamais mencionou o nome de Lula, diferentemente de outros líderes globais com quem ele teve embates”, escreveu Guga Chacra. O colunista ressalta que, por outro lado, Trump já se referiu diversas vezes de forma elogiosa ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem mantém afinidade ideológica.

Para analistas ouvidos por Chacra, o gesto pode ser interpretado como uma tática de deslegitimação: ignorar Lula seria uma forma de recusar reconhecimento ou importância ao governo atual do Brasil. Além disso, o posicionamento de Trump reforça o alinhamento político-ideológico com Bolsonaro, que se apresentava como aliado estratégico dos EUA durante sua gestão.

O silêncio, no entanto, ocorre em um momento em que o governo Lula enfrenta pressões comerciais vindas dos EUA e articula uma resposta diplomática ao que considera uma intromissão em assuntos internos brasileiros, incluindo a regulamentação de big techs e a defesa da soberania nacional.

Enquanto Washington e Brasília se distanciam, o gesto de Trump sinaliza que, mesmo fora do cargo, o ex-presidente norte-americano continua a influenciar o tom das relações com o Brasil — mas à sua maneira: ignorando o atual mandatário e reforçando laços com seu antecessor.

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