Centenário da Batalha de Mucugê resgata confronto histórico entre forças baianas e a Coluna Prestes
Episódio ocorrido em 1926, na Chapada Diamantina, expôs a estratégia militar de Luís Carlos Prestes e a resistência organizada por tropas governistas no interior da Bahia

O centenário da Batalha de Mucugê, ocorrido em 1926, marca um dos episódios mais significativos da passagem da Coluna Prestes pelo território baiano. O confronto se deu nas proximidades do município de Mucugê, em meio ao avanço da coluna rebelde pelo interior do país durante a crise política da República Velha.
A Coluna Prestes havia sido formada a partir da junção de levantes tenentistas, incluindo remanescentes da revolta liderada por Miguel Costa em São Paulo e tropas comandadas por Luís Carlos Prestes no Sul do país. Em 1925, o grupo iniciou uma longa marcha que cruzaria mais de uma dezena de estados brasileiros, denunciando fraudes eleitorais e o domínio das oligarquias.
O avanço pela Bahia –
No início de 1926, a Coluna adentrou o território baiano, já desgastada por combates anteriores, mas ainda mantendo forte capacidade de mobilização. Ao se aproximar da Chapada Diamantina, região estratégica por seu relevo acidentado, as forças governistas organizaram uma reação para impedir o avanço dos insurgentes.
As tropas legais eram compostas por destacamentos da Polícia Militar da Bahia e contingentes do Exército, apoiados por chefes políticos locais — os chamados “coronéis” — que temiam a influência do movimento na região.
O confronto em Mucugê –
A batalha ocorreu entre os meses de março e abril de 1926, quando forças governistas tentaram interceptar a Coluna nas imediações de Mucugê. O plano era cercar os rebeldes em uma área de difícil escape, aproveitando o conhecimento local do terreno.
No entanto, sob comando de Prestes, a Coluna adotou sua já conhecida tática de guerra de movimento. Em vez de se fixar em combate frontal, os rebeldes realizaram ataques rápidos e recuos estratégicos, confundindo as tropas adversárias.
Relatos históricos apontam que o confronto foi marcado por intensas trocas de tiros em áreas de serra e vales estreitos. Apesar da pressão, a Coluna conseguiu romper o cerco, evitando perdas significativas e mantendo sua marcha.
Personagens e estratégias –
Além de Prestes, outros nomes importantes participaram da campanha, como oficiais tenentistas que integravam o núcleo de comando da Coluna, entre eles Juarez Távora, que teve papel relevante em diferentes fases do movimento.
Do lado governista, embora haja menor registro nominal detalhado dos comandantes locais, a resistência foi articulada por autoridades estaduais alinhadas ao governo federal da época, sob a presidência de Artur Bernardes.
Consequências –
A Batalha de Mucugê não resultou em vitória decisiva para nenhum dos lados, mas representou mais um fracasso das forças oficiais em conter o avanço da Coluna Prestes. Após o confronto, os rebeldes seguiram seu percurso pelo Nordeste, prolongando o movimento até 1927, quando atravessaram a fronteira com a Bolívia.
Cem anos depois, o episódio permanece como símbolo da tensão entre o poder central e os movimentos reformistas da época. Em Mucugê, a memória da batalha integra o patrimônio histórico da Chapada Diamantina, reforçando o papel da região como palco de acontecimentos decisivos da história nacional.



