Gigantes globais pressionam EUA contra tarifa extra sobre produtos brasileiros
Empresas como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Siemens, Faber-Castell e eBay enviaram manifestações ao governo americano alertando para impactos econômicos e riscos nas cadeias de suprimentos caso a sobretaxa de 25% seja aplicada.
Grandes multinacionais com operações nos Estados Unidos e forte relação comercial com o Brasil se posicionaram contra a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. As manifestações foram encaminhadas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
A medida foi sugerida após o órgão concluir que determinadas práticas comerciais adotadas pelo Brasil seriam discriminatórias em relação aos interesses dos Estados Unidos. Apesar da recomendação da sobretaxa, o USTR também propôs uma ampla lista de exceções, tema que está sendo debatido em audiências públicas realizadas nesta semana em Washington.
Entre as empresas que pediram a revisão ou ampliação das isenções estão Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Siemens, Faber-Castell e eBay. Nos documentos enviados ao governo americano, as companhias argumentam que a imposição de novas tarifas poderá elevar custos de produção, provocar desabastecimento de matérias-primas estratégicas e prejudicar consumidores e empresas norte-americanas.
A Coca-Cola destacou a importância dos insumos brasileiros de laranja e limão para a produção de bebidas nos Estados Unidos. Segundo a companhia, a produção americana de laranja sofreu forte retração nos últimos anos, tornando o Brasil um fornecedor essencial. A Nestlé também alertou para a dependência de insumos brasileiros, como café solúvel e colágeno bovino, utilizados em produtos alimentícios e de saúde vendidos no mercado americano.
No setor industrial, a Tesla afirmou que fabricantes dos Estados Unidos ainda dependem de componentes importados para manter a competitividade em áreas estratégicas, como veículos elétricos, energia solar, robótica e sistemas de armazenamento de energia. A Siemens reforçou que equipamentos produzidos no Brasil abastecem setores críticos da economia americana, incluindo concessionárias de energia, data centers e a indústria de petróleo e gás.
Já a Faber-Castell chamou atenção para o mercado educacional dos Estados Unidos. A empresa argumentou que o Brasil é o principal fornecedor de lápis para o país e que não existem alternativas capazes de substituir rapidamente o volume exportado com o mesmo padrão de qualidade e segurança. O eBay, por sua vez, pediu que produtos usados e seminovos sejam excluídos de qualquer tarifa, alegando que a medida afetaria principalmente consumidores de baixa renda e pequenas empresas.
Além das multinacionais estrangeiras, empresas brasileiras como WEG, Bauducco e CSN também participaram da consulta pública promovida pelo governo americano. As contribuições foram recebidas até 1º de julho e servirão de base para a decisão final do USTR sobre a implementação ou não das novas tarifas.



