Economia

Avanço do Pix e fintechs reduz quase R$ 2 bilhões em tarifas dos grandes bancos em 2025

Pressionadas pela concorrência digital, instituições tradicionais aceleram digitalização, fecham agências e apostam em crédito e investimentos para manter rentabilidade

A crescente concorrência das fintechs e o uso massivo do Pix estão redesenhando o modelo de negócios dos grandes bancos brasileiros. Em 2025, três das quatro maiores instituições financeiras de capital aberto do País registraram queda significativa nas receitas com tarifas de conta-corrente, acumulando perda próxima de R$ 2 bilhões.

No ano passado, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil arrecadaram juntos R$ 15,155 bilhões com contas bancárias, retração de 11% em 12 meses. Apenas o Santander Brasil apresentou leve alta nessa linha de receita.

A redução contrasta com o crescimento de quase 5% nas receitas totais de prestação de serviços, que alcançaram R$ 15,7 bilhões, impulsionadas por seguros, cartões e outros produtos financeiros. Com isso, a participação das tarifas de conta-corrente na arrecadação total caiu de 15% para 13% em um ano.

O movimento reflete uma transformação estrutural no setor bancário. Com a digitalização acelerada e a popularização de contas sem tarifa, os bancos passaram a adotar uma estratégia mais relacional, usando a conta corrente como porta de entrada gratuita para atrair clientes e direcioná-los a produtos de maior valor agregado, como crédito e investimentos.

Nesse cenário, o Nubank consolidou sua posição como maior símbolo da nova lógica de mercado. Ao fim de 2025, a instituição alcançou 112 milhões de usuários, tornando-se o banco com maior número de clientes no Brasil, atrás apenas da Caixa Econômica Federal, segundo dados do Banco Central.

A competição também acelerou o fechamento de agências físicas e os investimentos em tecnologia. Bancos tradicionais têm apostado em aplicativos mais completos e integrados, reduzindo custos operacionais e abrindo espaço para isenção ou redução de tarifas. A digitalização, além de diminuir despesas com atendimento presencial, fortalece a estratégia de “principalidade” — quando o cliente concentra a maior parte de suas operações em uma única instituição.

Com cerca de 93% da população bancarizada e média superior a seis contas por pessoa, o desafio deixou de ser conquistar novos clientes e passou a ser aumentar o engajamento e a recorrência de uso. A isenção de tarifas vinculada ao uso frequente de serviços tornou-se uma ferramenta para ampliar esse relacionamento.

O Pix também desempenha papel central nessa mudança. Ao substituir transferências pagas, como a TED, o sistema reduziu receitas tarifárias, mas trouxe ganhos indiretos, como maior inclusão financeira, aumento do fluxo de transações e redução de custos tecnológicos.

Paralelamente, a Febraban defende a modernização das regras que regem a cobrança de tarifas bancárias. A entidade argumenta que a regulamentação atual, criada antes do Pix e do Open Finance, gera distorções competitivas ao impor exigências diferentes entre bancos tradicionais e instituições de pagamento.

Apesar da pressão sobre as receitas transacionais, analistas avaliam que os grandes bancos seguem sólidos financeiramente e avançam na adaptação ao novo ambiente competitivo, apostando em tecnologia, eficiência operacional e diversificação de receitas para sustentar o crescimento.

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