“Flávio Bolsonaro tomou a mansão de Richarlisson em Angra dos Reis”
Richarlison Desabafa Sobre Perda de Mansão de R$ 10 Milhões em Disputa com Elo a Flávio Bolsonaro

A disputa jurídica pela posse de uma mansão cinematográfica avaliada em R$ 10 milhões, localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), voltou a incendiar o debate público. O atacante da Seleção Brasileira, Richarlison, quebrou o silêncio em suas redes sociais ao comentar um vídeo explicativo de uma advogada sobre o caso. O jogador desabafou sobre o enorme prejuízo financeiro sofrido:
“Realmente gastei em torno de R$ 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana.”
Embora as redes sociais tenham associado diretamente o senador Flávio Bolsonaro a uma suposta “tomada” do imóvel, os autos processuais mostram uma teia jurídica complexa. Flávio Bolsonaro figura formalmente no caso apenas como testemunha, enquanto a verdadeira batalha nos tribunais é travada entre a empresa de investimentos do jogador e o advogado Willer Tomaz, amigo íntimo do parlamentar.
Abaixo, detalhamos a cronologia completa dos fatos que culminaram na expulsão da família do empresário de Richarlison da propriedade.
Cronologia do Caso: Da Compra à Expulsão
• Década de 1980: Origem Histórica e o Registro da União
A luxuosa propriedade de 11 suítes, cachoeira, heliponto e praia privativa pertenceu originalmente à renomada cantora Clara Nunes até 1983. Por se tratar de um terreno localizado em uma ilha marítima, a área pertence formalmente à União, que concede apenas as outorgas de direito de posse. Em 1986, a posse foi transferida para a empresa M. Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda.
• Julho de 2020: O Interesse de Flávio Bolsonaro
A posse da casa estava sob os cuidados do empresário Antônio Marcos Pereira Silva. No último fim de semana de julho de 2020, o senador Flávio Bolsonaro, acompanhado de sua esposa, visitou a mansão a convite de outro parlamentar. Na ocasião, o proprietário informou ao senador que aquele seria seu último mês ali, pois já estava fechando a venda do imóvel para a empresa do jogador Richarlison.
• Final de 2020: Richarlison Adquire a Mansão
A empresa de investimentos de Richarlison e de seu empresário, Renato Velasco, conclui oficialmente as negociações e adquire os direitos de posse da propriedade por cerca de R$ 10 milhões. O estafe do jogador inicia reformas estruturais no local.
• 1º de Janeiro de 2021: Visita Surpresa com Drone
Mesmo após a venda consumada, Flávio Bolsonaro retorna à frente da mansão a bordo de uma lancha, desta vez acompanhado de seu amigo, o advogado Willer Tomaz. O antigo proprietário foi contatado por telefone e explicou que, por não ser mais o dono, não poderia autorizar a entrada. Mesmo sem o consentimento dos novos proprietários, o senador utilizou um drone para registrar imagens aéreas do terreno e publicou o vídeo em seu Instagram. Relatos apontam que Tomaz questionou se não haveria uma forma de cancelar o contrato com Richarlison para arrematar o imóvel.
• Maio de 2022: A Intervenção Jurídica e a Expulsão da PM
Representantes dos espólios dos antigos donos da M. Locadora (empresa que detinha os papéis na década de 1980), sob representação jurídica de um escritório ligado a parceiros de Willer Tomaz, acionaram a Justiça. Eles alegaram que os atuais ocupantes eram “esbulhadores” (invasores), pois o registro oficial da União ainda constava em nome da antiga locadora.
Em 13 de maio de 2022, uma liminar de reintegração de posse foi cumprida pela Polícia Militar. A esposa do empresário de Richarlison, grávida na época, foi obrigada a desocupar o imóvel às pressas.
• 2022 – 2026: Recursos Judiciais e Oposição de Defesas
A defesa de Richarlison chegou a reverter a decisão em primeira instância, mas o grupo ligado a Willer Tomaz recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), conseguindo manter a posse provisória da casa. Flávio Bolsonaro foi arrolado no processo unicamente na condição de testemunha por ter presenciado as tratativas iniciais da dinâmica da área.
O Posicionamento dos Envolvidos
Em nota oficial emitida por sua assessoria, o senador Flávio Bolsonaro reafirmou veementemente que não possui qualquer relação de propriedade com o imóvel e que nunca comprou a mansão. A defesa do parlamentar pontua que o caso se resume a uma disputa de regularização documental entre proprietários e possuidores, restrita unicamente às partes que figuram na ação judicial.
A defesa de Richarlison continua contestando os documentos apresentados pela locadora na Justiça e busca reaver o valor investido ou a restituição definitiva do imóvel.


