Por quê André Mendonça não autorizou busca e apreensão nos endereços de Flávio Bolsonaro?
Parlamentares da oposição e analistas políticos voltam a questionar critérios do ministro e levantam discussão sobre eventual impedimento em processos sensíveis
A atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em investigações que envolvem diretamente aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tem provocado críticas mais duras no cenário político e reacendido o debate sobre imparcialidade judicial.
Indicado ao STF por Bolsonaro em 2021, Mendonça passou a ser alvo recorrente de questionamentos de parlamentares da oposição, que apontam uma suposta proximidade institucional e política com o núcleo bolsonarista e setores do centrão. Para esses críticos, essa relação de origem reforça dúvidas sobre a necessidade de eventual declaração de impedimento ou suspeição em determinados processos.
As críticas se intensificaram a partir de investigações recentes envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” e o escândalo do Banco Master, casos que também alcançam figuras ligadas ao entorno político do ex-presidente. Parlamentares oposicionistas afirmam que a ausência de medidas mais incisivas em alguns trechos das investigações alimenta a percepção de tratamento desigual, ainda que não apresentem elementos judiciais que comprovem irregularidades na atuação do ministro.
Algumas figuras públicas e do meio politico tem questionado nas redes sociais a atuação do ministro e suas decisões sobre a investigação, que deixam transparecer que suas ligações umbilicais com a família Bolsonaro e figuras do centrão, seriam motivos mais que suficientes para ele ter se autodeclarado sob suspeição para conduzir o processo.
Nas redes socias milhares de manifestações publicas cobram do ministro uma igualdade no curso das investigações, e a principal delas é: “Porquê André Mendonça não ordenou uma operação de busca e apreensão nos endereços do senador Flávio Bolsonaro (PL), que confessou ter recebido mais de R$61 milhões de André Vorcaro? As investigações já comprovaram que o senador por ais de uma vez se encontrou com o banqueiro e que agiu politicamente para beneficiar o banco.
Em discursos no Congresso e manifestações públicas, opositores afirmam que a confiança nas decisões do Supremo depende não apenas da legalidade formal, mas também da percepção de distanciamento em relação aos agentes políticos investigados. Nesse contexto, a indicação de Mendonça por Bolsonaro é frequentemente citada como fator que, segundo esses críticos, deveria ser objeto de maior escrutínio institucional.
Outro ponto que também é questionado por pessoas ligadas ao governo e por parte da imprensa, foi a decisão do ministro Mendonça, de mandar tirar do ar noticias, comentários e posts nas redes sociais que destacavam as ligações nada republicanas do senador Flávio Bolsonaro e o dono do banco Master André Vorcaro, que continua preso e já revelou na sua delação que se encontrou com o candidato a presidente Flávio Bolsonaro, por mais de uma vez, e que deu dinheiro para a realizácão do filme DARK HORSE.
Também não fica claro, porque o ministro do STF, não mandou apurar o destino desse dinheiro, a evasão de Mais de R$ 61 milhões para os Estados Unidos, que forma parar em um fundo administrado pelo advogado do ex-deputado condenado, Eduardo Bolsonaro.
Por outro lado, juristas e integrantes do meio jurídico reforçam que a atuação de ministros do STF é regida por critérios estritamente processuais. Medidas como buscas, apreensões e quebras de sigilo exigem fundamentação concreta, e não podem ser adotadas com base em pressões políticas, percepções públicas ou vínculos de indicação.
O tema da suspeição de magistrados é previsto em lei, mas sua aplicação depende de hipóteses objetivas e análise caso a caso. Até o momento, não há decisão formal que reconheça impedimento do ministro em processos relacionados ao campo político do ex-presidente Bolsonaro.
Ainda assim, o debate sobre imparcialidade no STF segue como um dos pontos mais sensíveis da política brasileira, especialmente em um ambiente de forte polarização, no qual decisões judiciais são frequentemente interpretadas sob lentes políticas distintas.



