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Crise política e bloqueios paralisam a Bolívia e deixam brasileiros isolados em La Paz

Protestos contra o presidente Rodrigo Paz provocam escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos, enquanto aeroporto se torna única rota de saída da capital boliviana

A Bolívia vive uma das maiores crises políticas e sociais dos últimos anos após semanas de protestos contra o presidente Rodrigo Paz, que assumiu o governo há apenas seis meses. As manifestações, organizadas por sindicatos, trabalhadores do transporte e movimentos indígenas, pressionam pela renúncia do mandatário e já provocam bloqueios em rodovias estratégicas, escassez de produtos essenciais e confrontos violentos com as forças de segurança.

A situação é mais crítica em La Paz, onde moradores enfrentam dificuldades para se deslocar e encontrar combustíveis, alimentos e medicamentos. O Terminal Rodoviário da capital suspendeu viagens nacionais e internacionais devido aos bloqueios nas estradas, deixando centenas de pessoas sem alternativa de transporte terrestre.

Com as vias interditadas, o Aeroporto Internacional de El Alto, cidade vizinha à capital, passou a ser a principal rota de saída da região. Mesmo assim, passageiros relatam cancelamentos frequentes e aumento expressivo no valor das passagens aéreas.

Entre os afetados estão brasileiros que permanecem retidos no país. O designer Gabriel Medeiros, de 26 anos, relatou que deveria permanecer apenas três dias em La Paz, mas já soma mais de duas semanas sem conseguir retornar ao Brasil. Segundo ele, os custos das passagens aéreas aumentam diariamente, dificultando a saída do país.

Diante da crise, o Itamaraty emitiu um alerta recomendando que brasileiros evitem viagens não essenciais aos departamentos de La Paz e Oruro. O órgão informou que os bloqueios têm causado interrupções severas no transporte rodoviário e dificultado o acesso a destinos turísticos importantes, como Salar de Uyuni, Potosí e Copacabana.

Os protestos começaram no dia 1º de maio, após a convocação de uma greve geral pela Central Operária Boliviana (COB). Inicialmente focado em reivindicações econômicas, como reajustes salariais e melhorias no abastecimento de combustíveis, o movimento ganhou força política e passou a exigir a saída do presidente.

Além da crise econômica, os manifestantes criticam mudanças em políticas agrárias e acusam o governo de beneficiar grandes proprietários de terras. O setor de transportes também denuncia falhas no abastecimento de combustíveis, enquanto professores cobram mais investimentos na educação pública.

Nos últimos dias, os confrontos entre manifestantes e policiais se intensificaram. Em operações para desbloquear rodovias, agentes de segurança utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar grupos em regiões próximas a La Paz e na estrada que liga a cidade a Oruro. Segundo a imprensa internacional, ao menos sete pessoas morreram desde o início dos protestos.

O governo de Rodrigo Paz acusa o ex-presidente Evo Morales de incentivar os protestos, acusação negada pelo líder político. Morales afirma que as manifestações são espontâneas e resultado da insatisfação popular com a atual administração.

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