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Prefeitura de Salvador previu intervalos de até 70 minutos entre ônibus no dia da eleição, diz O Globo

Documentos encaminhados ao STF indicam programação com espera superior à dos dias úteis em linhas que atendem Lapa, Mussurunga e Pirajá

Documentos enviados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que a gestão Bruno Reis (União Brasil) programou intervalos maiores entre ônibus de algumas linhas durante o segundo turno das eleições, no domingo (25). Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (27), as orientações foram encaminhadas às empresas de transporte em 19 de outubro, seis dias antes da votação.

A programação incluía linhas que atendem importantes terminais de integração da capital, como Lapa, Mussurunga e Pirajá. Na linha 1246, entre Pirajá e Patamares, o intervalo previsto para o domingo eleitoral era de 70 minutos, contra 22 minutos nos dias úteis — uma espera superior ao triplo da habitual durante a semana.

Na linha 1328, que liga Pirajá a Mussurunga, a previsão era de ônibus a cada 40 ou 50 minutos. A referência informada pela prefeitura para os dias úteis é de 25 a 30 minutos. Já na linha 0141, entre a Estação da Lapa e o Hospital Geral do Estado, a programação previa intervalo de 55 minutos, ante 22 minutos nos dias de semana.

Outra linha com redução na frequência prevista era a 1324, que liga Pirajá a Sete de Abril, passando por Cajazeiras. O planejamento estabelecia espera de 40 a 50 minutos no domingo, enquanto o intervalo nos dias úteis é de 26 minutos. Segundo O Globo, outras linhas mantiveram programação semelhante à praticada durante a semana.

Os documentos acrescentam informações à apuração sobre as dificuldades de transporte enfrentadas pelos eleitores em Salvador. Ao indicar que intervalos maiores estavam previstos antes da votação, o planejamento coloca sob questionamento a oferta programada para o dia do pleito. Os registros, contudo, não demonstram, isoladamente, uma intenção de impedir o voto; a eventual responsabilidade dos envolvidos depende da investigação.

Durante a votação, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a determinar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava fora do Brasil. A ordem foi posteriormente revogada, sem encerrar a apuração sobre possíveis crimes eleitorais relacionados à operação do transporte público.

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