Politica

PF avalia acionar Interpol após deputado Alexandre Ramagem deixar o país e se tornar foragido

Condenado a mais de 16 anos de prisão pelo STF no caso da trama golpista, ex-diretor da Abin está nos EUA e pode entrar na lista de Difusão Vermelha; Câmara ainda terá de analisar perda do mandato.

A Polícia Federal avalia solicitar a inclusão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) na lista de Difusão Vermelha da Interpol após receber o pedido de prisão contra o parlamentar, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que investigou a trama golpista. A medida transformaria Ramagem em foragido internacional, permitindo sua prisão em outros países.

Segundo monitoramento da PF, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) deixou o Brasil e encontra-se nos Estados Unidos. Sua prisão foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das ações sobre a tentativa de golpe. Moraes já havia proibido o deputado de sair do país e determinado que ele entregasse todos os seus passaportes, nacionais e estrangeiros.

Além da prisão, o STF decidiu pela perda do mandato parlamentar — medida que, após o fim dos recursos, ainda precisará ser analisada pela Câmara dos Deputados.

O advogado de Ramagem, Paulo Cintra, afirmou que só foi informado da saída do cliente nesta semana e, por isso, não comentaria o caso por enquanto.

Na semana passada, Ramagem, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros integrantes do núcleo central da tentativa de golpe tiveram recursos negados por Moraes, aproximando o início da execução das penas — possibilidade que especialistas apontam para já na próxima semana.

A Primeira Turma do STF condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime fechado. A Procuradoria-Geral da República o acusou de cinco crimes, mas a Câmara suspendeu parte da ação penal referente aos ilícitos cometidos após sua diplomação. Assim, ele foi julgado e condenado por tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito e associação criminosa armada.

O deputado também foi apontado como um dos responsáveis por preparar o discurso de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas, considerado a etapa inicial de um plano para manter o ex-presidente no poder em caso de derrota eleitoral. A defesa negou todas as acusações, sem sucesso no STF.

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