Governo Trump condena prisão domiciliar de Bolsonaro e ameaça retaliar Moraes
Departamento de Estado dos EUA afirma que sanções contra Alexandre de Moraes serão reforçadas e promete responsabilizar quem colaborar com ações do ministro, acusado de “silenciar a oposição” no Brasil.
O governo do ex-presidente Donald Trump condenou publicamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), e anunciou que irá responsabilizar qualquer pessoa que colabore com o que chama de “condutas sancionadas” do magistrado.
A manifestação foi publicada nesta segunda-feira (4), no perfil oficial do Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos, no X (ex-Twitter), canal utilizado pela diplomacia americana para tratar de temas relacionados à América Latina.
“O ministro Moraes, agora sancionado pelos EUA como violador de direitos humanos, continua usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro se defender publicamente não é um serviço público. Deixem Bolsonaro falar!”, afirma o comunicado.
Em tom duro, o texto segue: “Os Estados Unidos condenam a ordem de Moraes que impõe prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que auxiliarem ou colaborarem com condutas sancionadas”.
A reação ocorre após Moraes determinar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no processo que investiga uma tentativa de golpe de Estado ao fim de seu governo, entre 2019 e 2022. O ministro considerou que o ex-mandatário violou medidas cautelares ao aparecer, mesmo que indiretamente, em vídeos exibidos por aliados durante manifestações no domingo (3).
Além da prisão domiciliar, Moraes impôs proibição de visitas (exceto de advogados e pessoas autorizadas judicialmente), e vetou o uso de celulares ou qualquer meio de comunicação, inclusive por terceiros. O magistrado deixou claro que qualquer descumprimento pode resultar na decretação de prisão preventiva.
Com a decisão, Bolsonaro torna-se o quarto ex-presidente brasileiro a ser preso desde a redemocratização, ao lado de Fernando Collor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (MDB).
A escalada diplomática entre os EUA de Trump e o STF brasileiro adiciona um novo capítulo à polarização internacional em torno da figura de Jair Bolsonaro, que se apresenta como vítima de perseguição política, enquanto responde por graves acusações relacionadas ao ataque às instituições democráticas do país.



