Dólar sobe 1,02% e Bolsa tem maior queda desde janeiro com pressão de juros e cenário eleitoral
Ibovespa recua 2,50% e fecha aos 167.874 pontos; mercado repercute tom mais duro do Copom, inflação de julho acima das expectativas e incertezas políticas
O mercado financeiro brasileiro terminou a terça-feira (11) sob forte pressão. O dólar avançou 1,02% e fechou cotado a R$ 5,164, enquanto o Ibovespa caiu 2,50%, aos 167.874 pontos, no menor nível desde 20 de janeiro de 2026.
A combinação de um tom mais rígido do Banco Central em relação à inflação, dados de preços acima das expectativas e novas projeções para o cenário eleitoral aumentou a cautela entre investidores.
Apesar da queda, o Ibovespa ainda acumula alta de 4,18% em 2026. O desempenho, entretanto, está distante da máxima registrada neste ano, quando o índice chegou a 198.557 pontos e acumulava valorização de aproximadamente 23%.
Ata do Copom aumenta cautela
Um dos principais fatores para a movimentação dos mercados foi a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
O documento reforçou a avaliação de que a inflação permanece pressionada e que a política monetária precisa continuar restritiva para desacelerar a atividade econômica.
A sinalização reduziu a expectativa de que o Banco Central possa acelerar o ciclo de redução da Selic. Segundo projeções reunidas pelo Boletim Focus, a taxa básica de juros deve terminar 2026 em 13,75% ao ano, o que representaria um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar atual projetado pelos economistas.
Para os anos seguintes, as previsões apontam Selic de 12% em 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029.
Juros elevados tendem a pressionar o mercado acionário porque tornam investimentos de renda fixa mais atrativos e aumentam o custo de financiamento das empresas.
IPCA desacelera, mas fica acima das previsões
Outro dado acompanhado pelos investidores foi o IPCA de julho, divulgado pelo IBGE.
A inflação oficial ficou em 0,07%, abaixo dos 0,16% registrados em junho. Em 12 meses, o índice passou a acumular alta de 4,44%, ante 4,64% no mês anterior.
Apesar da desaceleração, o resultado ficou acima da expectativa mediana do mercado, que apontava inflação de 0% para julho.
O resultado também ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação mencionada no cenário apresentado, mas a composição dos preços e as expectativas futuras continuam sendo acompanhadas de perto pelo Banco Central.
Eleições entram no radar dos investidores
O cenário político também influenciou os negócios. A pesquisa CNT/MDA mencionada no levantamento aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece com 39,1%.
No primeiro turno, Lula registra 42,4%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 28,7%.
A proximidade das eleições aumenta a atenção do mercado para as perspectivas fiscais e econômicas do próximo governo. A leitura de analistas citados no levantamento é de que o ambiente eleitoral pode elevar a percepção de risco e aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros.
JPMorgan reduz recomendação para ações brasileiras
A pressão sobre o mercado também ocorreu após o JPMorgan reduzir sua recomendação para ativos brasileiros.
Entre os fatores apontados estão a maior volatilidade esperada durante o período eleitoral, a possibilidade de uma redução mais lenta dos juros e um processo de desinflação prolongado.
A combinação desses elementos contribuiu para a piora do ambiente de negócios e para a queda generalizada das ações negociadas na Bolsa.
Juros futuros avançam
Os contratos de juros futuros também reagiram ao cenário. O DI para janeiro de 2027 subiu 12 pontos-base, para 13,760%, enquanto o contrato para janeiro de 2035 avançou 19 pontos-base, para 14,525%.
A alta indica que investidores passaram a incorporar maior possibilidade de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo.
Dólar tem maior valor desde julho
Com a busca por proteção diante das incertezas, o dólar encerrou o pregão a R$ 5,164, alta de 1,02%.
Foi a maior cotação de fechamento da moeda norte-americana desde 3 de julho, quando terminou o dia a R$ 5,168.
Mesmo com a alta desta terça-feira, o dólar ainda acumula queda de 5,90% no ano.
Tensão internacional aumenta incertezas
O ambiente externo também contribuiu para a cautela. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra no Oriente Médio aumentaram as preocupações dos mercados.
O Estreito de Hormuz, por onde circulava antes do conflito cerca de 20% do petróleo e do gás natural produzidos no mundo, permanece no centro das preocupações relacionadas ao fornecimento global de energia.
A combinação entre tensões geopolíticas, inflação, juros elevados e incertezas eleitorais deixou os investidores mais defensivos e marcou uma das sessões mais negativas da Bolsa brasileira em 2026.


