Câmara de Salvador volta a esvaziar plenário e reforça alinhamento com interesses empresariais
A CMS e o velho roteiro do desinteresse pelas questões urgentes da socidade
Depois de dois dias de plenário cheio, a Câmara Municipal de Salvador (CMS) amanheceu nesta quarta-feira (5) sob o velho roteiro do desinteresse. Nenhum vereador compareceu à sessão ordinária convocada oficialmente pelo Diário Oficial do Legislativo. Com isso, a sessão caiu por falta de quórum — mais um capítulo de uma Casa que, quando trabalha, raramente atua em defesa do povo soteropolitano.
Na pauta estavam apenas itens protocolares — votação da ata, leitura do expediente e uso da tribuna —, mas a ausência coletiva chamou a atenção. O esvaziamento ocorre justamente na semana em que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) anunciou que apresentaria o novo Plano Municipal de Segurança Pública, um tema de grande impacto social que, mais uma vez, deve ser conduzido sem debate público amplo dentro da Câmara.
Nos bastidores, comenta-se que o sumiço dos vereadores teria relação com a visita do presidente francês Emmanuel Macron a Salvador, que participou do festival “Nosso Futuro Brasil-França”. Mas, para quem acompanha o ritmo da Casa, a ausência soa como parte de uma rotina em que o interesse público é secundário diante das conveniências políticas e empresariais que orbitam o governo municipal.
Nos últimos meses, o Legislativo soteropolitano tem sido palco de votações marcadas por forte resistência popular e denúncias de favorecimento a grupos econômicos. Um exemplo foi a aprovação do projeto que flexibilizou regras de ocupação do solo na orla, abrindo brechas para empreendimentos privados avançarem sobre áreas de uso público. Outro foi o apoio irrestrito a medidas que ampliaram incentivos fiscais a grandes construtoras, enquanto pequenos comerciantes e trabalhadores informais seguem sem políticas efetivas de apoio.
A Câmara também foi criticada por acelerar a tramitação de projetos de interesse direto do Executivo, como a concessão de áreas municipais para exploração comercial, sem promover audiências públicas ou consultas à população afetada. Enquanto isso, temas como transporte público, saneamento e moradia popular seguem relegados a comissões ou “estudos técnicos” sem prazo para conclusão.
Para analistas políticos e representantes de movimentos urbanos, o comportamento do Legislativo municipal reforça um padrão: quando se trata de interesses empresariais ou de pautas estratégicas para o grupo político do prefeito Bruno Reis, a Câmara age com celeridade e disciplina; mas quando o tema é o bem-estar da população, o plenário esvazia.



