Brasil pressiona EUA por suspensão de “tarifaço” e busca acordo gradual para reduzir tensões comerciais
Em reunião na Malásia, o chanceler Mauro Vieira pediu a suspensão das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e abriu caminho para uma nova rodada de negociações em Washington; encontro entre Lula e Trump foi descrito como “positivo e cordial”.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se nesta segunda-feira (27), em Kuala Lumpur, na Malásia, com representantes do governo dos Estados Unidos para solicitar a suspensão imediata das tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros, conhecidas como o “tarifaço”. A medida, implementada recentemente por Washington, tem provocado forte reação do setor produtivo brasileiro e mobilizado a diplomacia do país em busca de um acordo.
O encontro aconteceu um dia após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, durante um fórum internacional na capital malaia. Segundo interlocutores do Planalto e da Casa Branca, as conversas entre os dois líderes foram “positivas e cordiais”, marcadas por elogios mútuos e disposição para o diálogo — um tom raro nas relações recentes entre Brasília e Washington.
Além de Mauro Vieira, participaram da reunião o embaixador Audo Faleiro e o secretário-geral do Ministério da Indústria e Comércio, Márcio Rosa, que integram, ao lado do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, o grupo apelidado nos bastidores do Itamaraty de “dream team” da diplomacia econômica brasileira.
Pelo lado americano, estiveram presentes o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante do Comércio, Jamieson Greer. O secretário de Estado, Marco Rubio, não participou do encontro.
A próxima etapa das tratativas ocorrerá em Washington, onde Faleiro e Rosa devem se reunir, na próxima semana, com representantes da administração Trump para definir um cronograma de retirada gradual das tarifas.
Fontes diplomáticas indicam que o governo brasileiro busca evitar retaliações comerciais e garantir segurança jurídica para exportadores, especialmente dos setores de aço, alumínio e produtos agrícolas, os mais impactados pelas novas taxações.



