Governo Lula lança projeto para retomar territórios dominados por facções
Iniciativa do Ministério da Justiça começa em Natal e busca unir forças de segurança e ações sociais para enfraquecer o crime organizado
O Ministério da Justiça iniciou um projeto nacional voltado à retomada e controle de territórios dominados por facções criminosas. A ação, concebida antes da operação policial no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos, é uma das principais apostas do governo Lula (PT) para enfrentar as críticas na área da segurança pública.
O projeto-piloto foi implantado em Natal (RN), em um bairro sob influência do Comando Vermelho. Caso os resultados sejam positivos, a experiência será expandida para outras regiões do país. O anúncio oficial está previsto para o dia 19 deste mês.
Batizada de Operação Território Seguro, a primeira ação ocorreu em 15 de outubro e contou com mais de 330 agentes das polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal. Foram presos mais de 30 suspeitos e apreendidas armas e drogas, segundo o Ministério da Justiça, chefiado por Ricardo Lewandowski.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre o governo federal, o Rio Grande do Norte e a Escola de Segurança Multidimensional da USP. A Bahia, governada por Jerônimo Rodrigues (PT), recusou participar do projeto-piloto, enquanto a gestão da petista Fátima Bezerra aceitou a proposta.
A comunidade escolhida para o programa tem cerca de 80 mil habitantes e foi recentemente tomada pelo Comando Vermelho, após anos sob o domínio do Sindicato do Crime. A disputa territorial provocou aumento da violência, com mais armas e tiroteios frequentes.
O projeto combina ocupação territorial com políticas de cidadania e garantia de direitos, incluindo regularização fundiária, proteção jurídica e acolhimento de vítimas de violência. Também prevê a criação de um Comitê Executivo para integrar as forças de segurança e ampliar o monitoramento da região — já foram identificadas cerca de 400 pessoas com tornozeleiras eletrônicas.
Entre as prioridades estão o combate à influência das facções em “tribunais paralelos” e a oferta de serviços básicos à população, como emissão de documentos e mediação de conflitos. Estruturas simples, como contêineres e pontos de atendimento comunitário, devem ser instaladas nas áreas críticas.
Com o programa, o governo federal busca consolidar a presença do Estado em territórios antes dominados pelo crime organizado e reduzir a dependência das comunidades em relação às facções.



