Rejeição a Trump cresce no Brasil após tarifaço e ofensiva contra o STF, diz pesquisa Ipes
Aprovação ao ex-presidente dos EUA cai para 33%, enquanto maioria dos brasileiros apoia resposta de Lula e vê impacto negativo da aliança com Trump nas eleições de 2026
A rejeição ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disparou no Brasil, conforme revela a mais recente pesquisa Pulso Brasil/Ipespe divulgada nesta terça-feira (23). Segundo o levantamento, 61% dos brasileiros desaprovam a atuação de Trump — um salto em relação aos 55% registrados em maio. No mesmo período, sua aprovação caiu de 39% para 33%.
O aumento da rejeição ocorre após o anúncio de um tarifaço contra produtos brasileiros e a decisão de revogar os vistos de entrada de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), numa tentativa de pressionar a Justiça brasileira a encerrar o processo em que Jair Bolsonaro (PL) é acusado de tentativa de golpe de Estado.
A resposta do governo Lula à ofensiva americana divide opiniões: 50% dos brasileiros aprovam sua postura, enquanto 46% desaprovam. Ainda assim, Lula aparece com o maior índice de aprovação entre as lideranças políticas avaliadas na condução da crise com os EUA.
Para 53% dos entrevistados, a proximidade de candidatos com Donald Trump deve prejudicá-los nas eleições presidenciais de 2026. A percepção é especialmente negativa para aliados do ex-presidente americano. Jair Bolsonaro tem 60% de desaprovação pela forma como reagiu à crise, seguido por seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com 59%. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), também é desaprovado por 46% dos entrevistados.
Outro tema abordado pela pesquisa foi a revogação dos vistos dos ministros do STF. A maioria dos entrevistados (57%) se posicionou contra a medida adotada pelo governo Trump, enquanto 37% disseram concordar com a retaliação.
Já sobre a taxação das big techs — uma possível resposta do governo brasileiro à pressão dos EUA —, 55% dos brasileiros disseram ser favoráveis à proposta, enquanto 40% se declararam contrários.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Ipespe entre os dias 19 e 22 de julho, com 2.500 pessoas entrevistadas em todas as regiões do país.



