Politica

STF se divide sobre decisão de Gilmar Mendes que restringe pedidos de impeachment contra ministros

Votação marcada para sexta (12) expõe risco de ruptura na imagem de unidade da corte; Senado reage e discute nova lei para disciplinar processos de impeachment

O STF (Supremo Tribunal Federal) vive um dos momentos mais delicados de sua articulação interna desde os ataques de 8 de Janeiro. Ministros estão divididos — e parte deles ainda sem posição definida — sobre manter ou derrubar a decisão do decano Gilmar Mendes que restringiu a abertura de processos de impeachment contra integrantes da corte. A liminar será analisada no plenário virtual na próxima sexta-feira (12).

Nos bastidores, há preocupação de que a votação escancare uma divisão pública entre os magistrados, rompendo a imagem de coesão construída desde a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e reforçada durante o julgamento da tentativa de golpe, que levou o ex-presidente à condenação. A insatisfação cresceu porque a decisão de Gilmar não foi previamente comunicada a todos os colegas.

A medida, vista como uma blindagem ao tribunal, provocou forte reação no Legislativo, especialmente no Senado — responsável por conduzir processos de impeachment de ministros. Segundo ministros e assessores ouvidos de forma reservada, ao menos quatro integrantes do STF ficaram desconfortáveis com a decisão, enquanto outros três ainda avaliavam alternativas antes da votação.

Apesar das críticas, há quem demonstre cautela diante do peso simbólico de divergir do decano, figura respeitada pela experiência e pelo papel de mediação. Até então, a corte vinha priorizando uma postura de unidade institucional, especialmente após os ataques que sofreu nos últimos anos.

No Senado, onde a reação inicial foi dura, o clima vem sendo conduzido com mais moderação. O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu intervir para conter tensões e abriu diálogo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ambos discutem a possibilidade de votação de uma nova lei de impeachment de autoridades, que poderia oferecer uma saída negociada para o impasse.

Um relatório apresentado na sexta (5) pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA) concede algumas proteções ao STF, mas não no mesmo nível da liminar de Gilmar. Já o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que o projeto não tem intuito de confrontar a corte — e que só deve avançar em 2026.

A avaliação interna no Supremo é de que a Lei 1.079/50 deixou excessivamente fácil a abertura de processos de impeachment contra ministros, algo agravado pela polarização política. Gilmar e Flávio Dino, em evento recente, defenderam que o Congresso atualize a legislação.

A discussão chegou ao STF por meio de ações da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e do Solidariedade, que alegam que trechos da lei não foram recepcionados pela Constituição de 1988.

Enquanto isso, setores do Senado ligados ao bolsonarismo seguem defendendo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e acreditam que, em 2026, terão votos suficientes para levar adiante essa pauta — um pano de fundo que reforça ainda mais a tensão em torno do julgamento desta semana.

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