Material com vírus da gripe desaparecido por 40 dias é localizado pela Polícia Federal na Unicamp
Amostras de H1N1 e H3N2 foram retiradas sem autorização de laboratório de alta segurança; pesquisadora foi presa e responderá por crimes relacionados à saúde pública
A Polícia Federal localizou, nesta quarta-feira (25), amostras dos vírus H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, que estavam desaparecidas desde o dia 13 de fevereiro do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas.
O material, armazenado originalmente em um laboratório de nível 3 de biossegurança (NB-3), havia sido retirado sem autorização e permaneceu fora de controle por cerca de 40 dias. Segundo as investigações, as amostras foram levadas para outros laboratórios dentro da própria universidade, sem cumprimento dos protocolos exigidos para esse tipo de agente infeccioso.
A pesquisadora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante no último dia 23 de março. Ela responderá em liberdade por furto, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e por colocar em risco a saúde pública. O marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado no caso. A defesa afirma que a docente utilizava a estrutura da universidade por não possuir laboratório próprio.
Apesar da gravidade da situação, a Polícia Federal informou que não houve contaminação externa. As amostras permaneceram dentro das dependências da universidade e foram encontradas em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, a cerca de 350 metros do local de origem. Os espaços foram interditados para cumprimento de mandados judiciais.
Os vírus H1N1 e H3N2 são classificados como agentes de nível 2 de biossegurança (NB-2), considerados de risco moderado. Ainda assim, o armazenamento em ambiente NB-3 segue protocolos mais rígidos, justamente para evitar qualquer possibilidade de exposição indevida.
A Justiça Federal determinou medidas cautelares contra a pesquisadora, incluindo comparecimento mensal, pagamento de fiança, proibição de deixar o país e impedimento de acessar os laboratórios investigados sem autorização.
A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. O episódio reacende o debate sobre a segurança em ambientes de pesquisa. Em Campinas, está em construção o laboratório Orion, de nível 4 de biossegurança (NB-4), considerado o mais avançado do país, com previsão de conclusão em 2027.



