Um dia para entrar na história
Ministra do STM pede perdão pelos erros da Justiça Militar durante a ditadura em ato pelos 50 anos da morte de Vladimir Herzog

Durante cerimônia inter-religiosa na Catedral da Sé, em São Paulo, Maria Elizabeth Rocha reconheceu as omissões da Justiça Militar e homenageou as vítimas do regime. O evento marcou meio século do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, símbolo da resistência democrática no país. Em memória dos 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, a Catedral da Sé, em São Paulo, foi palco, na noite de sexta-feira (25), de um ato inter-religioso que recriou a histórica cerimônia realizada em 1975. O evento, organizado pela Comissão Arns e pelo Instituto Vladimir Herzog (IVH), homenageou o legado de “Vlado” e de todas as vítimas da ditadura militar brasileira, reunindo centenas de pessoas que lotaram o templo. A recriação do ato contou com a presença de lideranças religiosas, familiares, jornalistas, autoridades e artistas, no mesmo espaço onde, há meio século, milhares desafiaram o regime militar e se uniram em defesa da democracia. Durante o evento, o público entoou palavras de ordem contra a anistia a criminosos da ditadura de 1964 e também contra os envolvidos nos atos golpistas de 2023. Um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi a fala da presidente do Supremo Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, que pediu perdão em nome da Justiça Militar pelos erros e omissões cometidos durante o regime autoritário. “Eu peço perdão à sociedade brasileira e à história do país pelos equívocos cometidos pela Justiça Militar federal em detrimento da democracia e favoráveis ao regime autoritário. Recebam o meu perdão, a minha dor e a minha resistência”, declarou a ministra, emocionada. Vladimir Herzog, conhecido como Vlado, era jornalista da TV Cultura e foi assassinado em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, após se apresentar voluntariamente para depor sobre supostos vínculos com o PCdoB. Na época, a versão oficial do regime alegou suicídio, mas investigações posteriores comprovaram que o jornalista foi torturado e morto por agentes do Estado. O ato na Catedral da Sé reafirmou a importância da memória, verdade e justiça, relembrando o papel de Herzog como símbolo da luta contra a censura e a violência de Estado. Cinquenta anos depois, sua história segue ecoando como um alerta para as novas gerações sobre os riscos do autoritarismo e a necessidade permanente de defender a democracia.



