Refinarias vendidas no governo Bolsonaro pressionaram a inflação no Brasil
Alta do petróleo após tensões no Estreito de Ormuz e no Irã acelera reajustes no país; diesel e gasolina disparam acima dos preços da Petrobras, especialmente na Bahia
A escalada de tensões no Oriente Médio tem provocado efeitos diretos no bolso dos brasileiros. O aumento do preço internacional do petróleo, impulsionado pela instabilidade no Estreito de Ormuz e conflitos envolvendo o Irã, já impacta o valor dos combustíveis no Brasil — com maior intensidade nas refinarias privatizadas.
Levantamento do Ineep aponta que, entre o fim de fevereiro e março, refinarias privadas elevaram os preços do diesel muito acima dos reajustes praticados pela Petrobras. O movimento amplia os efeitos sobre frete, inflação e custo de vida.
Na Bahia, a Refinaria de Mataripe se tornou símbolo dessa disparada, com aumentos expressivos tanto no diesel quanto na gasolina. Em outras regiões, como Amazonas e Rio Grande do Norte, refinarias privadas seguiram a mesma tendência de alta acelerada.
Enquanto isso, a Petrobras manteve reajustes mais moderados no período, ampliando a diferença de preços entre o combustível estatal e o praticado por empresas privadas.
O impacto já aparece na inflação. Em março, o diesel registrou forte alta no índice oficial, pressionando principalmente o transporte de cargas e, consequentemente, os preços de alimentos e produtos básicos.
A situação é ainda mais sensível na capital baiana, Salvador, que apresentou uma das maiores inflações do país para combustíveis no período. O cenário reacende o debate político sobre a política de preços e a privatização de refinarias realizada durante o governo de Jair Bolsonaro.
Diante da pressão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já indicou que o governo estuda alternativas, incluindo a possibilidade de recompra de ativos estratégicos para tentar conter a volatilidade dos preços no mercado interno.



