STF cobra explicações de Tarcísio após ataques a Alexandre de Moraes em ato de 7 de Setembro
Governador de São Paulo endureceu o discurso contra o Supremo e pediu anistia ampla para condenados do 8 de Janeiro; ministros avaliam que fala foi calculada e pode estremecer relação com a Corte.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve procurar integrantes da Corte nos próximos dias para dar explicações sobre seu discurso durante a manifestação do último domingo (7), na Avenida Paulista. Até 24 horas após a fala, nenhum contato direto havia sido feito pelo governador — apenas interlocutores próximos procuraram ministros para justificar a posição dele.
No ato, Tarcísio fez seu ataque mais duro ao Supremo e, especialmente, ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que pode levar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão. Em cima de um caminhão de som, o governador chamou Moraes de “tirano” e defendeu uma anistia “ampla e irrestrita” para os condenados pelos ataques de 8 de Janeiro, incluindo Bolsonaro e outros réus da trama golpista.
“Não vamos aceitar a ditadura de um Poder sobre o outro. Chega. Não vamos aceitar que nenhum ditador diga o que temos que fazer”, afirmou. Ao ouvir a multidão gritar “fora, Moraes”, ele reforçou: “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes. Ninguém aguenta mais o que está acontecendo neste país”.
As declarações geraram forte reação dentro da Corte. O decano Gilmar Mendes usou as redes sociais para afirmar que crimes contra o Estado Democrático de Direito não são passíveis de anistia e que não há “ditadura da toga”. Já o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, disse à imprensa que o julgamento de Bolsonaro ocorre de forma pública e transparente, em contraste com os tempos da ditadura.
Três ministros ouvidos sob reserva consideram que Tarcísio calculou o discurso, radicalizando de forma proposital para obter retorno político. O movimento é visto como alinhamento ao tom do pastor Silas Malafaia e à ala mais dura do bolsonarismo, em meio à expectativa de que o governador seja o nome apoiado por Bolsonaro na disputa presidencial de 2026.
Aliados próximos, no entanto, reconheceram que o episódio gerou desconforto e que o tom poderia ter sido menos incisivo. Ainda assim, defendem que o governador não cometeu erro ao se posicionar diante de uma plateia de apoiadores. A avaliação é de que ele não deve escalar mais os ataques ao Supremo para evitar um rompimento definitivo, preservando possíveis pontes de diálogo.
O episódio também reacendeu no STF o debate sobre as propostas de anistia em discussão no Congresso. Uma ala minoritária defende que a Corte não deve interditar o tema e precisa estar atenta ao clamor popular, embora a posição predominante seja pela rejeição a qualquer tipo de perdão a golpistas condenados.


