Sem escrúpulos Valdemar Costa Neto defende anistia para os criminosos do 8 de janeiro
Presidente do PL declara que partido pressiona para pautar anistia e afastar julgamento dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou em entrevista ao programa Estúdio I que o partido trabalha abertamente na Câmara dos Deputados para aprovar uma anistia que beneficie todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, o esforço conta com a articulação do presidente da Casa, Hugo Motta, e deve reunir o apoio de legendas como PP, Republicanos e PSD.
Valdemar declarou que a proposta tem como objetivo reparar o que considera uma falha processual: a ausência de “direito de defesa” dos acusados. Para ele, os réus deveriam ter sido julgados em primeira instância e não diretamente no Supremo Tribunal Federal (STF). “No planeta Terra, todo cidadão tem direito a um segundo julgamento. Aqui não aconteceu. Essas pessoas foram presas sem poder se defender”, disse.
Anistia em duas etapas
Questionado sobre o alcance da medida, Valdemar admitiu que a estratégia é dividida em fases: inicialmente contemplando os “peixes pequenos” — manifestantes como a militante conhecida como “Débora do Batom” — e, posteriormente, figuras de maior projeção, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Braga Netto. “O que nós esperamos é que haja um entendimento para que esse pessoal que não teve direito à defesa possa ser anistiado. Todos foram presos sem se defender”, afirmou.
Embora tenha reconhecido que Bolsonaro ainda não foi condenado, Valdemar indicou que o partido trabalhará para incluir o ex-presidente em uma eventual anistia. “Não podemos fazer uma anistia se o Bolsonaro não foi condenado ainda. Mas espero que sim. Depois do julgamento, vamos tentar isso”, disse.
Mobilização política
Durante a entrevista, Valdemar destacou o papel de Hugo Motta, presidente da Câmara, que segundo ele deve ser “valorizado e levado para cima” para garantir que a pauta avance. O dirigente afirmou que existe um entendimento entre partidos do centrão para retomar o tema, e estimou cerca de 300 votos favoráveis após a conclusão dos julgamentos no STF.
Comparações e críticas ao Supremo
Ao comparar a situação de Bolsonaro com a do ex-presidente Lula, Valdemar disse que, enquanto Lula pôde recorrer em diferentes instâncias, Bolsonaro “já estava preso antes mesmo de ser condenado”. Ele acusou o ministro Alexandre de Moraes de parcialidade, afirmando que o ex-presidente não teria “chance alguma” de defesa real.
A entrevista evidencia a estratégia do PL de transformar a anistia em um movimento político de proteção a seus quadros e aliados, colocando em xeque o papel do STF e tentando deslocar o julgamento para o campo legislativo.



