Economia

Salvador tem diesel mais caro e Manaus paga mais pela gasolina que capitais com refinarias da Petrobras

Dados da ANP mostram diferenças nos preços após vendas de unidades no governo Bolsonaro; custos afetam o orçamento familiar, o transporte e o comércio

O diesel S10 vendido em Salvador custava, em média, R$ 7,78 por litro, enquanto a gasolina em Manaus chegava a R$ 7,28, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente à semana de 11 a 17 de outubro de 2026. Nas duas capitais, os valores superavam os registrados em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, situadas em estados que mantêm grandes refinarias da Petrobras.

A comparação exige uma distinção: a Petrobras não foi privatizada durante o governo Jair Bolsonaro, mas vendeu refinarias e outros ativos. Na Bahia, a venda da Refinaria Landulpho Alves, atual Mataripe, ao grupo Mubadala foi concluída em novembro de 2021. No Amazonas, a Refinaria Isaac Sabbá foi transferida à Ream em 2022. As operações integravam o programa de desinvestimentos e o acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), apresentado como instrumento para ampliar a concorrência no refino.

Os preços médios ao consumidor mostram que as diferenças variam conforme o produto:

Capital Gás de cozinha — 13 kg Gasolina comum — litro Diesel S10 — litro
Salvador R$ 119,22 R$ 6,65 R$ 7,78
Manaus R$ 128,80 R$ 7,28 R$ 7,29
Recife R$ 103,06 R$ 6,97 R$ 7,17
São Paulo R$ 119,21 R$ 6,34 R$ 7,24
Belo Horizonte R$ 111,79 R$ 6,41 R$ 6,89
Rio de Janeiro R$ 99,19 R$ 6,53 R$ 7,08
Curitiba R$ 112,81 R$ 6,78 R$ 7,29
Porto Alegre R$ 120,13 R$ 5,96 R$ 7,16

Fonte: ANP, levantamento de 11 a 17/10/2026. Valores médios de revenda dos estabelecimentos pesquisados.

Nesse recorte, o diesel em Salvador estava aproximadamente 12,9% acima de Belo Horizonte, e a gasolina em Manaus custava 14,8% mais que em São Paulo. Entretanto, o resultado não é uniforme: a gasolina de Salvador era mais barata que a de Recife e Curitiba, enquanto o botijão na capital baiana praticamente empatava com São Paulo e ficava abaixo de Porto Alegre. Os cálculos foram realizados a partir das médias da ANP.

Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul mantêm unidades importantes no parque de refino da Petrobras. Isso, porém, não significa abastecimento exclusivo pela estatal. A localização de uma refinaria também não determina, sozinha, a origem de todo combustível comercializado em uma capital.

A ANP explica que o preço final combina valores cobrados pelos produtores, tributos, biocombustíveis, despesas operacionais e margens de distribuição e revenda. Por isso, a comparação de uma semana não permite atribuir toda a diferença à privatização das refinarias. Para medir esse efeito, seria necessário acompanhar os preços antes e depois das vendas, controlando fatores como logística, concorrência e condições internacionais. A Acelen, responsável por Mataripe, informa que sua formação de preços considera petróleo comprado a valores internacionais, dólar e frete.

O impacto econômico chega às famílias e às empresas. Um botijão mais caro reduz a renda disponível para outras despesas; gasolina elevada aumenta os gastos de deslocamento e de atividades que dependem do automóvel. No transporte de cargas, o diesel encarece a operação e pode pressionar fretes e mercadorias, embora o repasse dependa dos contratos e das condições de mercado. Como exemplo ilustrativo, abastecer mil litros de diesel pelos preços médios de Salvador custaria R$ 610 a mais que em Recife.

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