Pressionado por escândalos no lixo, desgaste na educação e venda de áreas verdes, Bruno Reis ataca Jerônimo para desviar foco
Prefeito de Salvador enfrenta crise na coleta de lixo após operação da PF, queda no desempenho escolar e polêmica sobre concessão de áreas públicas; estratégia agora é mirar no governo do estado

A gestão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), vive um momento crítico, marcado por sucessivos desgastes políticos e administrativos. Em meio à pressão por denúncias na coleta de lixo, crise na educação e a polêmica tentativa de leiloar áreas verdes para a iniciativa privada, o prefeito tem apostado em ataques ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) como estratégia para mudar o foco do debate público. Durante o lançamento do projeto Roda, nesta segunda-feira (28), Bruno descartou alterações em seu secretariado para 2026 e voltou a classificar o governo estadual como “incapaz”.
O gesto de confrontação vem após o impacto causado pela operação da Polícia Federal que prendeu o empresário José Galdino Meira Costa, conhecido como “Rei do Lixo”, acusado de comandar um esquema milionário de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo contratos de limpeza urbana com diversas prefeituras baianas — entre elas, Salvador. O caso gerou repercussão nacional e expôs fragilidades na contratação e fiscalização dos serviços pela administração municipal.
Além disso, a recente greve dos professores da rede municipal, embora encerrada, deixou marcas. O movimento escancarou o descontentamento da categoria e coincidiu com a divulgação de indicadores preocupantes sobre a qualidade do ensino fundamental em Salvador, com queda no desempenho de escolas públicas em áreas periféricas. O tema virou munição para adversários e fortaleceu o desgaste da imagem de Bruno entre pais, educadores e especialistas.
Outro fator que tem contribuído para o isolamento político do prefeito é a tentativa da prefeitura de leiloar áreas verdes e espaços públicos da cidade para exploração privada. A proposta de concessão, que inclui parques, praças e trechos de orla, foi duramente criticada por movimentos ambientais, urbanistas e parte da população, que acusa a gestão de privilegiar interesses empresariais em detrimento do bem-estar coletivo e da preservação ambiental.
Diante desse cenário, Bruno Reis elevou o tom contra Jerônimo Rodrigues: “Monto meu governo com pessoas qualificadas, técnicas. Muitos são especialistas em suas áreas e estão nos cargos porque performam e fazem entregas”, afirmou o prefeito. “Essa talvez seja uma das grandes diferenças nossa em relação ao adversário. Vocês estão vendo aí, crise no sistema prisional, crise na saúde, na segurança, disse o prefeito.
Para analistas políticos, a escalada retórica de Bruno contra o governo estadual revela uma tentativa de criar um inimigo externo para reaglutinar sua base e escapar da série de desgastes que minam sua popularidade. No entanto, com escândalos no setor de limpeza urbana, fragilidade nas políticas educacionais e crescente oposição à venda de áreas públicas, o prefeito pode ter dificuldades em sustentar sua narrativa — principalmente diante de um eleitorado cada vez mais atento à gestão da cidade.



