PMs reagem à imposição de pregações religiosas em templos da Igreja Universal
comparecer a cultos evangélicos durante o expediente e denunciam doutrinação religiosa institucionalizada

Uma série de denúncias reveladas pelo portal The Intercept Brasil aponta para uma grave crise de liberdade religiosa dentro das forças de segurança pública de São Paulo. Policiais militares relataram terem sido obrigados a participar de reuniões com pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, em eventos realizados durante o horário de expediente e em templos da denominação, levantando suspeitas de doutrinação institucionalizada.
Segundo a apuração, apenas em fevereiro deste ano, 2.500 PMs participaram de um encontro de 12 horas na sede da Igreja Universal, onde receberam orientações religiosas do pastor capelão Roni Negreiros. Embora o governo afirme que apenas o espaço físico dos templos é utilizado, militares relatam pregações e imposições de conteúdo ideológico.
O cabo Marco Aurélio Bellorio, do 1º Batalhão da PM na zona sul de São Paulo, se recusou a comparecer a uma dessas reuniões após ter trabalhado durante toda a madrugada. Católico, foi punido e respondeu a processo disciplinar interno. Ele moveu ação por dano moral alegando violação da liberdade de crença, mas teve o pedido negado pela Justiça. Anos depois, seu processo disciplinar foi reaberto.
Outros militares, como o soldado Marcelo, que se declarou ateu, afirmam sofrer represálias por não aderirem aos encontros. “Sei que não sou bem visto pelos meus superiores por isso”, declarou. A denúncia também destaca a ausência de espaços semelhantes oferecidos por religiões de matriz africana, gerando acusações de discriminação institucionalizada.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirma que a parceria com a Universal é apenas para “utilização de espaços”, mas não respondeu se ofereceria o mesmo espaço a outras religiões.
A Justiça Militar apura o caso, enquanto cresce o debate sobre a laicidade do Estado, os limites entre fé e serviço público e o respeito à diversidade religiosa nas instituições.


