Economia

Apesar de ataques de Trump, Brasil é o 13º país com mais empresas americanas no mundo

Investigação dos EUA alega barreiras no mercado brasileiro, mas dados revelam aumento do interesse de empresas americanas, inclusive durante governos petistas

Mesmo sob críticas e ameaças comerciais do ex-presidente Donald Trump, o Brasil figura entre os países que mais abrigam subsidiárias de empresas dos Estados Unidos no mundo. Segundo levantamento da consultoria Moody’s Analytics, o Brasil ocupa o 13º lugar no ranking global, com 4.686 subsidiárias controladas por acionistas americanos.

O dado contrasta com o discurso do governo Trump, que acusou o Brasil de dificultar o acesso de empresas dos EUA ao seu mercado. A acusação embasou a abertura de uma investigação formal sob a chamada seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), alegando obstáculos regulatórios, ambientais e até o comércio informal de produtos pirateados, como os vendidos na famosa rua 25 de Março, em São Paulo.

O tensionamento político se agravou após o anúncio, por Trump, da aplicação de uma sobretaxa de 50% sobre certos produtos brasileiros a partir de agosto, como retaliação ao que classificou de “caça às bruxas” contra seu aliado Jair Bolsonaro. A medida, embora com motivação política, gerou efeitos econômicos imediatos e pressões diplomáticas.

Apesar disso, o número de empresas americanas no Brasil tem crescido nas últimas décadas. Dados do Escritório de Análise Econômica dos EUA (BEA) mostram que, entre 2009 e 2022, o número de subsidiárias com faturamento anual acima de US$ 25 milhões saltou de 638 para 1.044 — crescimento de mais de 60%. Curiosamente, o maior salto percentual ocorreu em 2014, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com um aumento de 38,4% em um único ano.

O crescimento desacelerou nos anos seguintes, mas se manteve constante, mesmo durante a recessão e as turbulências políticas que marcaram os governos Dilma, Temer e Bolsonaro. A última alta registrada foi em 2022, ainda durante o governo do ex-capitão aliado de Trump.

Na tentativa de contornar a crise e defender os interesses econômicos de São Paulo — responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras para os EUA —, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) reuniu-se com empresários e representantes da embaixada americana. No encontro, o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, repetiu as alegações de dificuldades enfrentadas por empresas americanas no Brasil.

Tarcísio, herdeiro político de Bolsonaro e possível presidenciável em 2026, buscou equilibrar o discurso, inicialmente culpando o governo Lula pelas tensões comerciais, mas depois assumindo uma postura mais conciliatória para evitar rachas no campo da direita.

A guerra comercial movida por Trump, repleta de declarações impulsivas e ameaças via redes sociais, contrasta com a lógica mais estruturada e potencialmente duradoura da seção 301, cuja tramitação legal pode levar a penalidades mais sérias. Ainda assim, os dados demonstram que o apetite americano pelo mercado brasileiro permanece firme — com ou sem crise diplomática.

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