PF investiga possível uso de aeródromo da família Piquet em plano de fuga de Jair Bolsonaro
Após a prisão preventiva do ex-presidente por suspeita de violar a tornozeleira eletrônica, Polícia Federal reavalia hipóteses e inclui no radar pista de pouso privada localizada a 200 metros do condomínio onde Bolsonaro cumpre medidas cautelares.

Segundo o Intercept Brasil, a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro reacendeu uma antiga suspeita dentro da Polícia Federal: a possibilidade de que um aeródromo privado pertencente à família Piquet, localizado a poucos metros de seu condomínio no Solar de Brasília, pudesse ter servido — ao menos em teoria — como rota de fuga. A detenção, ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes após indícios de violação da tornozeleira eletrônica, levou a PF a revisar informações que antes haviam sido descartadas.
O aeródromo Piquet, registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como pista privada, voltou ao radar da corporação após a avaliação de que Bolsonaro já não estava sob controle das medidas cautelares. Fontes do Departamento de Inteligência Policial, que meses antes consideravam “zero” a chance de uso da pista, confirmaram que a estrutura passou a ser tratada como hipótese válida a ser verificada.
A pista asfaltada, com 590 metros de comprimento, autorização para operação visual diurna e noturna, iluminação de borda e farol aeronáutico, seria capaz — caso estivesse totalmente operacional — de receber aeronaves de pequeno porte e helicópteros. Moradores da região afirmam que as atividades no local diminuíram nos últimos meses devido às obras do empreendimento Reserva Jardim Botânico, que bloqueiam parte da área. Ainda assim, o trecho remanescente continua tecnicamente apto para pousos e decolagens de helicópteros.
A PF analisa realizar diligências no local, incluindo coleta de imagens, inspeção da pista e eventual oitiva do responsável pelo aeródromo, Geraldo Piquet Souto Maior, piloto experiente e irmão de Nelson Piquet, aliado histórico do ex-presidente. O tricampeão de Fórmula 1, que recentemente visitou Bolsonaro durante a prisão domiciliar, é um dos apoiadores mais notórios do ex-capitão.
Apesar das verificações, não há até o momento qualquer evidência de que Bolsonaro tenha tentado utilizar a pista ou tenha articulado uma fuga concreta. A investigação busca determinar se o aeródromo chegou a ser cogitado informalmente como parte de um plano de evasão.



