Oposição sim, desrespeitoso não – Bate-boca entre Ivana Bastos e Alan Sanches agita sessão na Assembleia da Bahia
Presidente da ALBA e vice-líder da minoria se desentendem durante votação de projetos; episódio expôs tensão entre governo e oposição e levantou debate sobre o protagonismo feminino no comando da Casa.

A tarde desta terça-feira (2) foi marcada por tensão nos corredores da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Um bate-boca entre a presidente da Casa, deputada Ivana Bastos (PSD), e o vice-líder da minoria, Alan Sanches (União Brasil), roubou a cena em uma sessão que aprovou 14 projetos de autoria do Executivo, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e também a prestação de contas do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) referentes a 2022 e 2023.
O impasse começou quando Ivana anunciou o líder da minoria, Tiago Correia (PSDB), como orador por 15 minutos. Com a ausência de Correia no plenário, Sanches tentou assumir a fala, mas foi questionado pela presidente. O parlamentar reagiu afirmando que, na ausência do líder, caberia ao vice exercer a função. O episódio gerou incômodo e deu início a uma troca de farpas.
A situação se agravou durante a votação dos projetos ligados à reestruturação das carreiras das polícias Civil e Militar. Sanches pediu verificação de quórum fora do prazo, já após a proclamação da aprovação, e acusou Ivana de não garantir o direito da minoria. “Eu só queria que a senhora tivesse compromisso. Sei que vossa excelência é da base do governo, mas precisa ser justa com a oposição”, disse o deputado em tom crítico.
Após o embate, Ivana determinou a verificação de quórum e, em entrevista à imprensa, classificou o episódio como um “mal-estar desagradável e desrespeitoso”. A presidente atribuiu a forma como foi tratada ao fato de ser mulher: “Se fosse um homem sentado naquela cadeira, não teria acontecido aquilo. Mas estamos acostumadas e vamos seguir de cabeça erguida, mostrando resultado”.
Enquanto isso, Alan Sanches evitou os jornalistas e deixou a Casa sem comentar o episódio, que repercutiu negativamente tanto entre parlamentares quanto na imprensa que cobre as atividades da ALBA.



