Dizem que milagres ainda acontecem. Não aqueles discretos, silenciosos, que a ciência tenta explicar com paciência. Não. Estamos falando de milagres instantâneos, cinematográficos — daqueles que acontecem exatamente no momento em que a porta de casa se abre.
Foi o que ocorreu com um certo ex-presidente brasileiro que, segundo seus apoiadores, havia se tornado um homem frágil, abatido, quase incapaz de permanecer em pé dentro de uma cela. A narrativa era dramática: dores constantes, estado delicado, risco à saúde. Um quadro digno de preocupação nacional, ao menos nas versões que circulavam entre aliados, advogados e transmissões ao vivo nas redes sociais.
Durante meses, a imagem era a de um homem debilitado. Passos curtos, semblante pesado, aparência de quem carregava o peso do mundo e soluços, muitos soluços, quase deixando-o incapaz de respirar — e também o medo mortal de uma cela.
Até que chegou o grande momento.
A porta do presídio se abriu.
A ambulância atravessou as ruas de Brasília, levando o quase moribundo ex-presidente.
E então, como nos melhores roteiros de cinema, é com a conivência da medicina de extrema direita, aconteceu a cura.
Uma farsa montada e escancarada para todo Brasil ver.
Assim que os pés tocaram o chão da própria casa, algo extraordinário ocorreu. O homem antes frágil parecia revigorado. A energia reapareceu. A postura mudou. O semblante ganhou outra cor. Quem observava de longe poderia até imaginar que Brasília possui algum tipo de atmosfera terapêutica especial — algo no ar da capital que transforma sofrimento em vitalidade quase instantaneamente.
Talvez seja o conforto do lar.
Talvez seja o colchão conhecido.
Talvez seja apenas o poder medicinal da própria sala de estar.
Ou talvez — dirão os mais desconfiados — seja apenas política.
Porque, para muitos observadores, a sequência dos acontecimentos pareceu menos um caso clínico e mais um enredo cuidadosamente montado: a fragilidade que justificava a saída do presídio, seguida de uma recuperação surpreendentemente oportuna assim que a prisão se transformou em prisão domiciliar.
Claro, milagres sempre dividem opiniões.
Há quem veja nisso apenas a força emocional de voltar para casa.
E há quem ache curioso que a saúde de certos personagens da política brasileira funcione como Wi-Fi: dentro da Papuda o sinal é fraco, mas basta chegar em casa que a conexão volta com potência máxima.
No Brasil, afinal, até a medicina às vezes parece seguir o calendário político.
E, ao que tudo indica, algumas curas acontecem exatamente na hora certa.



