Lula anuncia que vai pedir prisão de Ricardo Nunes e de outros prefeitos por supostas irregularidades no transporte de eleitores
Presidente afirma que gestores municipais que deixaram ônibus nas garagens durante o segundo turno das eleições deverão responder à Justiça por possíveis crimes eleitorais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, que pretende pedir a prisão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e de outros prefeitos que, segundo denúncias, não disponibilizaram a frota de ônibus necessária para garantir o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
A declaração ocorre em meio a denúncias de redução da circulação do transporte coletivo em cidades como São Paulo e Salvador. Segundo os relatos, ônibus teriam permanecido nas garagens durante o período de votação, prejudicando principalmente moradores de bairros periféricos e cidadãos que dependem exclusivamente do transporte público para chegar às urnas.
Lula deixou claro que sua intenção de solicitar a responsabilização criminal não se limita ao prefeito de São Paulo. O presidente também pretende pedir providências contra outros gestores municipais que eventualmente tenham descumprido determinações da Justiça Eleitoral para garantir a circulação dos ônibus. Entre os municípios envolvidos nas denúncias estão Salvador, administrada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), e Feira de Santana, governada por José Ronaldo (União Brasil).
As denúncias levantam questionamentos sobre uma possível tentativa de interferência no processo democrático por meio de restrições à mobilidade urbana. Caso seja comprovado que a retirada de ônibus de circulação ocorreu de maneira deliberada para impedir ou dificultar o comparecimento de eleitores às urnas, os responsáveis poderão responder por infrações previstas na legislação eleitoral.
A gravidade das acusações está relacionada ao direito constitucional de participação política. A eventual utilização da estrutura administrativa municipal para dificultar o exercício do voto pode configurar abuso de poder e outras irregularidades, dependendo das circunstâncias e das provas reunidas pelas autoridades competentes.
A responsabilização dos gestores, entretanto, depende da apuração dos fatos e de decisões judiciais. As denúncias, por si só, não comprovam a existência de uma ação coordenada para interferir no resultado das eleições.
O episódio coloca no centro do debate nacional a importância da fiscalização do transporte público nos dias de votação e da atuação da Justiça Eleitoral para assegurar que nenhum cidadão seja impedido de exercer seu direito democrático por falta de acesso aos locais de votação.



