Lula acusa Israel de extermínio na Faixa de Gaza e cobra ONU por paralisia diante do conflito
Em conferência internacional na ONU, presidente brasileiro defende criação do Estado da Palestina, critica veto dos EUA no Conselho de Segurança e anuncia medidas para restringir comércio com assentamentos ilegais. Conib reage e acusa Lula de desequilibrar o debate.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (22), que as ações de Israel na Faixa de Gaza configuram um “extermínio do povo palestino” e também uma tentativa de aniquilar a possibilidade de criação de um Estado da Palestina. A declaração foi feita durante conferência internacional sobre a Palestina e a solução de dois Estados, realizada na ONU, evento boicotado por Israel e Estados Unidos.
Em seu discurso de pouco menos de cinco minutos, Lula condenou as ofensivas israelenses em Gaza e na Cisjordânia e criticou a inação do Conselho de Segurança da ONU, atribuindo-a ao poder de veto exercido principalmente pelos EUA. Para o presidente, a paralisia do órgão “sabota a própria razão de ser da ONU, que nasceu para impedir atrocidades como as que vemos hoje”.
O petista destacou ainda que o Brasil se somou ao processo movido pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça e voltou a classificar as ações de Tel Aviv como genocídio. Lula também anunciou que o governo brasileiro pretende reforçar restrições a importações de assentamentos ilegais na Cisjordânia e manter suspensas exportações de material de defesa que possam ser utilizados em crimes contra a humanidade.
O presidente reconheceu os atentados cometidos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 como “atos terroristas inaceitáveis”, mas disse que o direito de defesa não pode justificar “a matança indiscriminada de civis”. Ele também saudou os países que recentemente reconheceram o Estado da Palestina, como França, Reino Unido, Canadá, Portugal e Austrália.
A fala de Lula provocou reação imediata da Confederação Israelita do Brasil (Conib), que classificou as acusações como “mentirosas” e afirmou que o presidente “em nada contribui para a paz”. Para a entidade, Lula deveria cobrar do Hamas a devolução de reféns e o abandono das armas, em vez de responsabilizar Israel de forma unilateral.
A conferência contou ainda com a participação do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que afirmou estar pronto para governar a Faixa de Gaza, e do presidente francês, Emmanuel Macron, que oficializou o reconhecimento do Estado palestino pela França. A decisão de Paris, seguida por Londres, isola ainda mais os Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU, onde quatro dos cinco membros permanentes agora apoiam a criação do Estado da Palestina.



