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Delação aponta lucro de R$ 4 milhões de ACM Neto em fundo ligado ao Banco Master

Ex-dono da Reag Investimentos afirma que candidato ao governo da Bahia mantinha fundo exclusivo que chegou a concentrar 98,6% dos recursos em operação lastreada em consignados do banco

A relação financeira de ACM Neto (União Brasil) com o Banco Master ganhou novos contornos após a proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República por João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos.

Segundo informações divulgadas pela coluna de Natália Portinari, no UOL, além dos R$ 3,6 milhões recebidos por sua empresa, a A&M Consultoria, do Banco Master e da Reag entre o fim de 2022 e maio de 2024, Neto teria mantido investimentos em produtos financeiros originados pelo próprio banco.

De acordo com a apuração, o candidato era o único cotista do fundo exclusivo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. Por meio desse fundo, teria aplicado cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, produto lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

Ao todo, os aportes de ACM Neto no fundo chegaram a R$ 7,92 milhões, distribuídos em dez depósitos. Em outubro de 2025, o patrimônio teria alcançado R$ 11,94 milhões, representando um ganho aproximado de R$ 4,01 milhões e rendimento médio de 17% ao ano.

Outro ponto que chama atenção é a concentração dos recursos. Cerca de 98% do patrimônio do fundo teria sido direcionado a uma única operação vinculada ao Banco Master, situação considerada incomum para uma carteira de investimentos pela concentração de risco.

A relação financeira também envolve a Reag, que administrava o fundo exclusivo. A empresa foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026. Antes disso, havia sido alvo de investigações, entre elas a Operação Carbono Oculto, que apurou suspeitas relacionadas à utilização de fundos para lavagem de dinheiro, e a Operação Compliance Zero, que investigou fraudes envolvendo o Banco Master.

Mesmo após a deflagração dessas operações, as aplicações do fundo ligado a ACM Neto no Structure teriam continuado até julho de 2025.

A movimentação financeira se soma ainda à evolução patrimonial declarada pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral. Em julho, Neto informou possuir R$ 85 milhões em patrimônio, mais que o dobro do valor declarado em 2022. Entre os ativos, estavam R$ 9 milhões aplicados em fundos da Planner, corretora que também entrou no radar de investigações da Polícia Federal relacionadas a operações suspeitas envolvendo o Master.

A partir das informações apresentadas na proposta de delação, caberá às autoridades verificar a natureza das operações realizadas pelo fundo de ACM Neto e esclarecer se os rendimentos obtidos decorreram exclusivamente de operações regulares de mercado ou se tiveram alguma conexão com eventuais irregularidades investigadas no Banco Master e na Reag.

Palavras-chave:

A relação financeira de ACM Neto (União Brasil) com o Banco Master ganhou novos contornos após a proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República por João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos.

Segundo informações divulgadas pela coluna de Natália Portinari, no UOL, além dos R$ 3,6 milhões recebidos por sua empresa, a A&M Consultoria, do Banco Master e da Reag entre o fim de 2022 e maio de 2024, Neto teria mantido investimentos em produtos financeiros originados pelo próprio banco.

De acordo com a apuração, o candidato era o único cotista do fundo exclusivo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. Por meio desse fundo, teria aplicado cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, produto lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

Ao todo, os aportes de ACM Neto no fundo chegaram a R$ 7,92 milhões, distribuídos em dez depósitos. Em outubro de 2025, o patrimônio teria alcançado R$ 11,94 milhões, representando um ganho aproximado de R$ 4,01 milhões e rendimento médio de 17% ao ano.

Outro ponto que chama atenção é a concentração dos recursos. Cerca de 98% do patrimônio do fundo teria sido direcionado a uma única operação vinculada ao Banco Master, situação considerada incomum para uma carteira de investimentos pela concentração de risco.

A relação financeira também envolve a Reag, que administrava o fundo exclusivo. A empresa foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026. Antes disso, havia sido alvo de investigações, entre elas a Operação Carbono Oculto, que apurou suspeitas relacionadas à utilização de fundos para lavagem de dinheiro, e a Operação Compliance Zero, que investigou fraudes envolvendo o Banco Master.

Mesmo após a deflagração dessas operações, as aplicações do fundo ligado a ACM Neto no Structure teriam continuado até julho de 2025.

A movimentação financeira se soma ainda à evolução patrimonial declarada pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral. Em julho, Neto informou possuir R$ 85 milhões em patrimônio, mais que o dobro do valor declarado em 2022. Entre os ativos, estavam R$ 9 milhões aplicados em fundos da Planner, corretora que também entrou no radar de investigações da Polícia Federal relacionadas a operações suspeitas envolvendo o Master.

A partir das informações apresentadas na proposta de delação, caberá às autoridades verificar a natureza das operações realizadas pelo fundo de ACM Neto e esclarecer se os rendimentos obtidos decorreram exclusivamente de operações regulares de mercado ou se tiveram alguma conexão com eventuais irregularidades investigadas no Banco Master e na Reag.

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