Brasil

Crise no Rio: Letalidade policial expõe fracasso da segurança pública sob gestão de Cláudio Castro

Com 64 mortos e 81 presos em megaoperação, governador é acusado de tentar transferir responsabilidade ao governo federal e de ter rejeitado proposta de integração das polícias

O Rio de Janeiro amanheceu nesta terça-feira (28) sob forte clima de tensão, após uma megaoperação policial que deixou 64 mortos e 81 presos em diversas comunidades da capital fluminense. A ação reacendeu o debate sobre o avanço da violência, a presença das milícias e o modelo de segurança pública adotado pelo governo estadual.

O governador Cláudio Castro, que se autodenomina um entusiasta da música e da cultura popular, deixando ser filmado várias vezes participando de karaokês em lanchas no litoral carioca, tem sido alvo de críticas por tentar atribuir ao governo federal a responsabilidade pela crise na segurança. Analistas e opositores lembram que Castro foi o primeiro a se opor ao projeto de integração das polícias proposto pelo Palácio do Planalto, que buscava criar uma estratégia conjunta entre as forças estaduais e federais.

Enquanto a letalidade policial atinge níveis alarmantes, especialistas afirmam que o crescimento das milícias e do tráfico no estado não começou recentemente, mas se consolidou nos últimos anos, especialmente durante o governo anterior, de Jair Bolsonaro, quando políticas de controle territorial e inteligência foram enfraquecidas.

A cobrança agora recai sobre o atual governo fluminense, acusado de falta de planejamento, coordenação e transparência nas ações de segurança. Segundo fontes da área, o governador teria solicitado apoio das Forças Armadas, o que foi interpretado por parte da oposição como uma tentativa de dividir responsabilidades diante do colapso da segurança pública no estado.

A crise expõe, mais uma vez, o dilema histórico do Rio: a ausência de uma política de segurança sustentável, capaz de enfrentar o crime organizado sem recorrer à violência extrema que vitima, sobretudo, moradores das periferias.

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