Bolsonaro articulava nos bastidores mesmo após deixar a Presidência, revelam mensagens extraídas pela PF
Conversas obtidas do celular do ex-presidente mostram orientação a parlamentares, ataques ao STF e oferta de viagem paga a Israel
Mensagens extraídas do celular de Jair Bolsonaro, apreendido pela Polícia Federal em maio de 2023, revelam que o ex-presidente manteve intensa articulação política mesmo após deixar o cargo. O conteúdo, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, inclui mais de 7 mil arquivos, como mensagens de WhatsApp, áudios, vídeos e documentos.
De acordo com os diálogos, Bolsonaro atuava ativamente nos bastidores, orientando deputados, dialogando com empresários e mantendo sua rede de contatos com o objetivo de sustentar influência durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das mensagens mostra o ex-presidente incentivando o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) a apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes.
Em áudio datado de 26 de abril de 2023, Lopes expressa receio de assinar a CPI, temendo retaliações. Bolsonaro então o tranquiliza: “Eu controlaria. Sempre existe a possibilidade de retaliações”. Após a orientação, o deputado confirma: “Já assinei”.
Outro ponto revelado nas conversas é a proposta feita pelo então embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, de custear uma viagem de Bolsonaro ao país. A oferta foi registrada no final de abril, pouco antes da deflagração da operação da PF que investigava fraudes em certificados de vacinação e resultou na apreensão do celular.
Importante destacar que o aparelho analisado nesta operação não é o mesmo confiscado em julho de 2023, quando Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica.



