Crônicas de Domingo

Blindagem e Covardia. Congresso vergonha nacional

Extrema-direita e Centrão blindam deputado acusado de agir contra o país: o escândalo dos gabinetes pagos com dinheiro público

 Por: @cezinhamarques

Em mais um capítulo vergonhoso da política brasileira, a Câmara dos Deputados decidiu arquivar o pedido de cassação de um parlamentar federal acusado de usar dinheiro público para trabalhar contra a soberania nacional. A decisão, sustentada pela extrema-direita e o centrão, escancara o nível de complacência e conivência de setores do Congresso com práticas que ferem diretamente o interesse do país e o respeito ao dinheiro do contribuinte.

O caso envolve o pagamento continuado de gabinetes de deputados afastados, presos ou exilados, que seguem recebendo salários e mantendo assessores mesmo sem exercer efetivamente o mandato.

Segundo levantamento do Estadão, mais de R$ 3,3 milhões foram gastos apenas nos últimos dois anos com gabinetes fantasmas — estruturas mantidas para deputados como Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), preso por envolvimento no assassinato de Marielle Franco, e Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ambos fora do país, mas ainda financiados com dinheiro público.

O dinheiro do povo financiando o descaso

Mesmo atrás das grades, Brazão segue com um gabinete ativo, 24 assessores e custo mensal de cerca de R$ 120 mil, além do próprio salário de R$ 18,9 mil.

Enquanto isso, Zambelli e Eduardo Bolsonaro, residindo no exterior, mantêm gabinetes inteiros funcionando — uma afronta à população que paga seus impostos acreditando estar financiando o trabalho legislativo, não o abandono de função.

Em nota, a Câmara tenta justificar o injustificável, alegando que deputados afastados “por motivo de saúde ou interesse particular” podem manter sua equipe. No entanto, especialistas afirmam que essa brecha legal está sendo usada como escudo político para proteger aliados e perpetuar privilégios indecentes.

Conivência política e o preço da impunidade

A tentativa de moralizar o sistema chegou a ser proposta por deputados governistas, que apresentaram o projeto apelidado de “deputado home office”, com o objetivo de proibir o exercício do mandato fora do país.

Mas, previsivelmente, a iniciativa foi enterrada pelo centrão e pela extrema-direita, que controlam as pautas da Casa e barram qualquer medida que ameace seus próprios privilégios.

“É ilógico ser eleito para representar o povo e ficar em outro país”, declarou Alencar Santana (PT-SP), indignado com a passividade da Mesa Diretora.

Já o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira (FGV) alerta que a manutenção desses privilégios dilacera a credibilidade do Congresso e aprofunda o abismo entre representantes e representados.

“Quando a Câmara mantém o pagamento de parlamentares que não prestam nenhum serviço, a imagem institucional do Legislativo se destrói por dentro”, afirma.

Vergonha nacional

A decisão de arquivar o pedido de cassação de um deputado acusado de atuar contra o país, sustentado com recursos públicos, é um retrato fiel da decadência moral que tomou conta do Congresso.

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam fome, desemprego e falta de investimentos em serviços essenciais, o Parlamento escolhe proteger quem transforma o mandato em balcão de interesses e ataques à soberania nacional.

Com essa blindagem vergonhosa, a extrema-direita e o centrão deixam claro que o compromisso deles não é com o Brasil — é com seus próprios privilégios e seus cúmplices.

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