Aliados de Trump pressionam por sanção financeira a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky
Após revogação de vistos e ameaça de tarifa de 50% contra o Brasil, bolsonaristas nos EUA veem avanço de medida que mira ministro do STF por supostas violações à liberdade de expressão

A ofensiva política dos aliados de Jair Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos ganhou novo fôlego com a expectativa de que o governo de Donald Trump imponha sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, utilizando a chamada Lei Global Magnitsky — legislação americana criada em 2012 que permite a punição de estrangeiros por corrupção ou violações de direitos humanos.
Segundo fontes ligadas à Casa Branca, pelo menos duas versões de um decreto com essa medida já circularam entre assessores de Trump. O endurecimento ocorre após Moraes determinar o uso de tornozeleira eletrônica para o ex-presidente Bolsonaro, decisão que levou os EUA a revogarem vistos diplomáticos de ministros do STF, com exceção de Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi incluído na restrição.
A alegação dos bolsonaristas, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista Paulo Figueiredo, é de que Moraes violou a liberdade de expressão ao censurar contas e conteúdos de aliados do ex-presidente. A mesma tese foi defendida em junho pelo deputado americano Chris Smith, que enviou carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando sanções imediatas.
A eventual sanção via Lei Magnitsky incluiria congelamento de bens nos EUA, proibição de transações em dólar com instituições americanas e bloqueio de contas — sem necessidade de processo judicial formal. Embora o Departamento do Tesouro tenha inicialmente resistido à medida por falta de embasamento jurídico, aliados de Bolsonaro afirmam que os entraves já foram superados.
Além das sanções pessoais, Trump elevou a pressão econômica e anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados, com previsão de entrada em vigor em 1º de agosto. A retaliação marca uma escalada sem precedentes na relação diplomática entre os dois países, colocando o Judiciário brasileiro no centro de uma disputa geopolítica impulsionada por motivações políticas internas dos Estados Unidos.



