Politica

A verdade incômoda sobre o tráfico e o consumo de drogas

Declaração de Lula reacende o debate sobre a responsabilidade do usuário e expõe a hipocrisia dos Estados Unidos no combate global às drogas.

Sem usuário, não existe tráfico de drogas. Essa é a ponta mais incômoda — e menos debatida — de uma realidade que muitos preferem ignorar. A responsabilidade é bilateral: não dá para demonizar apenas o traficante e inocentar completamente o usuário, que alimenta a engrenagem do crime com a própria demanda.

Quando o presidente Lula afirmou que os Estados Unidos são o maior consumidor de drogas do planeta, ele apenas verbalizou o que todo mundo já sabe. O governo norte-americano gasta bilhões para combater o tráfico fora de suas fronteiras, mas falha no essencial: cuidar do próprio quintal. O resultado é um ciclo perverso — enquanto apontam o dedo para os produtores e países de trânsito, continuam sendo o maior mercado consumidor do mundo.

Pode-se discutir a forma como Lula se expressou — afinal, falou de improviso, como é de seu estilo —, mas a mensagem é cristalina: o combate às drogas não será eficaz enquanto não houver responsabilidade compartilhada. O tráfico só existe porque há consumo. A guerra às drogas não pode ser travada apenas nas favelas ou nas fronteiras; precisa começar na consciência de quem consome e na autocrítica das grandes potências que lucram com o caos que fingem combater.

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