PF aponta ACM Neto como elo em suspeitas investigadas na Overclean, segundo CNN
Apuração envolve contratos de mais de R$ 80 milhões na Educação de Belo Horizonte; PF pediu buscas contra o candidato, mas ministro Nunes Marques negou a medida

O ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) aparece como um elo relevante na linha investigativa da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades em contratos da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, segundo reportagens sobre a 10ª fase da Operação Overclean. A investigação alcança contratações realizadas entre 2024 e 2025 e analisa ao menos três procedimentos que resultaram em contratos superiores a R$ 80 milhões. A PF confirma oficialmente os valores e a apuração de indícios de direcionamento, mas seu comunicado público não atribui responsabilidade criminal a ACM Neto.
Uma das linhas investigativas busca esclarecer a relação entre ACM Neto e Bruno Barral, que foi secretário municipal de Educação durante a gestão do ex-prefeito em Salvador e posteriormente assumiu a mesma pasta em Belo Horizonte. Segundo reportagem do UOL, a PF apura a indicação de Barral e suspeitas de favorecimento de empresários em contratações públicas.
As apurações também alcançam José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Reportagens que tiveram acesso à investigação afirmam que a PF identificou mais de 200 contatos telefônicos entre ACM Neto e Moura entre agosto e dezembro de 2024. Um desses contatos teria ocorrido na mesma data em que o grupo do empresário teria transportado aproximadamente R$ 5 milhões em espécie em Salvador. A coincidência temporal integra os elementos analisados pela investigação, mas, isoladamente, não comprova participação de ACM Neto no transporte ou origem dos valores.
A Polícia Federal chegou a solicitar autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à diligência, mas o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou a medida. Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro considerou não haver indícios diretos suficientes para autorizar a busca contra o candidato.
A solicitação da PF havia sido apresentada em janeiro. A autorização para as demais medidas da operação foi concedida posteriormente. Na quinta-feira (17), a 10ª fase da Overclean cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.
Oficialmente, a Polícia Federal informa que investiga a possível atuação de uma organização criminosa e indícios de direcionamento de procedimentos para o fornecimento de serviços e materiais didáticos. Os fatos apurados podem, em tese, configurar crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação permanece em andamento.
ACM Neto nega envolvimento em irregularidades. Em manifestação divulgada após as reportagens, afirmou que estaria ocorrendo uma tentativa de interferência no processo eleitoral por meio de “vazamentos seletivos” e de associação indevida de seu nome a fatos dos quais diz não ter participado.



