Politica

Câmara de Salvador aprova plano bilionário de segurança, mas eficácia é questionada

Projeto prevê investimentos de até R$ 14,3 bilhões e aposta em tecnologia e gestão, porém especialistas apontam limitações para enfrentar a violência estrutural na cidade

A Câmara Municipal de Salvador aprovou nesta quarta-feira (6) o Projeto de Lei nº 554/2025, que institui o Plano Municipal de Segurança Pública e Defesa Social. A proposta foi encaminhada pelo prefeito Bruno Reis no final do ano passado, recebeu contribuições técnicas e passou por emendas antes de ser validada em plenário.

O plano estabelece diretrizes para a atuação da segurança pública no município e prevê articulação com os governos estadual e federal. De acordo com o texto, o investimento estimado é de R$ 5,6 bilhões até 2028, podendo alcançar R$ 14,3 bilhões até 2035.

A iniciativa reúne um conjunto de ações estruturadas para enfrentar a violência urbana e ampliar a sensação de segurança na Salvador. O programa está organizado em cinco frentes principais: prevenção social da violência, fortalecimento da Guarda Civil Municipal, uso de tecnologia e inteligência, melhorias urbanas com impacto na segurança e ampliação da governança com participação social.

No total, o plano contempla 11 objetivos estratégicos, 241 ações e 46 metas, que servirão de base para monitoramento e avaliação das políticas públicas. Entre os destaques estão a adoção de câmeras corporais por agentes da Guarda Civil Municipal, a implantação de um Centro de Controle e Operações no Subúrbio Ferroviário e a instalação inicial de 2 mil câmeras de vigilância — parte de um sistema mais amplo com 6,3 mil equipamentos integrados a tecnologias como reconhecimento facial e leitura de placas.

Apesar da aprovação, o projeto tem gerado críticas de especialistas e setores da sociedade civil, que questionam sua efetividade diante da complexidade da segurança pública na cidade. Para esses críticos, medidas focadas principalmente em tecnologia e organização administrativa podem não ser suficientes para resolver problemas estruturais, como desigualdade social, atuação do crime organizado e limitações na integração com forças estaduais. Há também preocupações sobre a execução prática das ações e a capacidade de o plano produzir impactos concretos na redução da criminalidade.

A proposta prevê que o acompanhamento das metas será essencial para avaliar se os recursos investidos resultarão, de fato, em melhorias nas condições de segurança para a população.

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