Economia

Venda de refinarias no governo Bolsonaro é apontada como causa direta da alta dos combustíveis no Brasil

Redução do controle da Petrobras sobre o refino elevou preços e deixou o país mais vulnerável ao mercado internacional

A crise nos preços dos combustíveis no Brasil tem origem direta nas decisões adotadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente na venda de refinarias da Petrobras e no enfraquecimento da capacidade estatal de controle sobre o setor.

Entre 2019 e 2022, o governo promoveu a privatização de unidades estratégicas, reduzindo a participação da Petrobras no refino nacional de cerca de 98% para aproximadamente 80%. Essa mudança fragmentou o mercado e criou monopólios regionais privados, que passaram a operar sem a mesma política de preços da estatal.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis comprovam o impacto direto dessa política: em diversas regiões do país, combustíveis produzidos por refinarias privatizadas chegam a custar mais de R$ 0,50 por litro acima dos valores praticados pela Petrobras. Além disso, há registros de operação abaixo da capacidade, reduzindo a oferta e pressionando ainda mais os preços.

A venda desses ativos também limitou a capacidade do Brasil de amortecer crises externas. Com menor controle sobre o refino, o país ficou mais exposto às oscilações internacionais, como conflitos no Oriente Médio e variações no preço do petróleo. Em cenários recentes de tensão envolvendo o Irã, por exemplo, o diesel registrou aumento de até 18,75% em apenas 14 dias, refletindo diretamente no bolso do consumidor brasileiro.

Outro fator agravante mantido no período foi a política de preços baseada na paridade internacional, que vincula os combustíveis ao dólar e ao mercado externo. Com a redução do papel da Petrobras no refino, essa política passou a ter efeitos ainda mais intensos, sem mecanismos eficazes de compensação interna.

Na prática, as decisões do governo Bolsonaro retiraram instrumentos estratégicos do Estado brasileiro, permitindo que agentes privados definissem preços em mercados regionais com pouca concorrência. O resultado é um cenário de combustíveis mais caros, maior instabilidade e menor soberania energética.

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