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PREDADOR DE ÁRVORES – Prefeitura de Salvador amplia uso de triturador enquanto cresce crítica à política de desmatamento urbano

Nova máquina de poda é apresentada como sustentável, mas reforça denúncias de retirada sistemática de árvores na capital baiana

A Prefeitura de Salvador apresentou uma nova máquina trituradora de podas como símbolo de modernização e sustentabilidade. No entanto, a iniciativa tem sido interpretada por críticos como mais um capítulo de uma política urbana que, segundo ambientalistas e moradores, prioriza o desmatamento em detrimento da preservação das áreas verdes da cidade.

Sob a gestão do prefeito Bruno Reis, a capital baiana tem registrado um número expressivo de intervenções em sua arborização. Dados oficiais apontam que mais de 11 mil árvores passaram por poda ou supressão entre julho de 2025 e fevereiro de 2026 — número que, para especialistas e movimentos ambientais, evidencia uma atuação agressiva sobre o patrimônio natural urbano.

A nova máquina, chamada PTU 400, tritura galhos e troncos, transformando-os em material para compostagem. A prefeitura defende que a tecnologia reduz desperdícios e contribui para a sustentabilidade. Entretanto, críticos afirmam que o equipamento acaba simbolizando uma política mais ampla de retirada de vegetação, vista por muitos como excessiva e pouco transparente.

Nos últimos meses, diversos protestos foram registrados em diferentes regiões de Salvador, especialmente em avenidas e áreas de grande circulação, onde moradores denunciam a derrubada de árvores consolidadas. Para esses grupos, a gestão municipal tem priorizado obras e intervenções urbanísticas que substituem o verde por estruturas de concreto, alterando significativamente a paisagem da cidade.

Conhecida por sua exuberância natural, suas praias e áreas de vegetação nativa, Salvador enfrenta agora um debate crescente sobre os rumos do seu desenvolvimento. Ambientalistas alertam para impactos no microclima, aumento da temperatura e perda de biodiversidade, além da descaracterização de espaços tradicionais.

Para os críticos, a introdução da trituradora não representa avanço ambiental, mas sim o aperfeiçoamento logístico de uma política que, na prática, facilita a remoção em larga escala da cobertura vegetal. Eles cobram da gestão de Bruno Reis maior compromisso com a preservação dos mananciais verdes e mais transparência nas decisões que envolvem o futuro ambiental da cidade.

Enquanto a prefeitura sustenta o discurso de eficiência e reaproveitamento, cresce entre moradores a percepção de que o verde de Salvador vem sendo, pouco a pouco, triturado — não apenas pela máquina recém-adquirida, mas por uma política urbana que, segundo críticos, tem falhado em proteger a essência natural da capital baiana.

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