Igreja Universal é alvo de nova denúncia sobre lavagem de dinheiro e influência política: Intercept revela bastidores e pede apoio para continuar investigações
Reportagem do Intercept Brasil expõe repasses bilionários à Igreja Universal, possíveis operações ilegais e relações com o poder político. Jornalista que denunciou o caso em 2022 virou alvo da polícia a pedido de Edir Macedo

Uma matéria publicada no Intercept Brasil traz uma investigação recente que revelou que a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada por Edir Macedo, movimentou impressionantes R$ 47,5 bilhões em apenas quatro anos e meio, exclusivamente por meio de doações bancárias. O número, corrigido pela inflação, foi obtido a partir de documentos do núcleo de combate à lavagem de dinheiro do Ministério Público de São Paulo.
Segundo a apuração, parte desse montante pode estar vinculada a uma operação ilegal de lavagem de dinheiro comandada por integrantes da própria igreja. Em depoimento exclusivo, um dos alvos da investigação admitiu ter sido peça-chave na condução do esquema financeiro.
A denúncia se torna ainda mais delicada ao ser cruzada com o cenário político atual. A Igreja Universal e a Assembleia de Deus estariam se articulando para ampliar sua influência no Congresso Nacional e herdar o capital eleitoral deixado por Jair Bolsonaro, mirando diretamente nas eleições de 2026.
Neste contexto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado como um dos principais aliados dessas igrejas. Ele já disputa, nos bastidores, o apoio de lideranças evangélicas e os votos desse eleitorado, fortalecendo laços com setores diretamente ligados a Edir Macedo.
O caso ganha contornos ainda mais graves com a revelação de que, após denúncias feitas em 2022, jornalistas passaram a ser alvos da polícia de São Paulo — em ações movidas a pedido do próprio Edir Macedo. A tentativa de intimidação levanta suspeitas sobre a interferência do poder religioso na máquina estatal e o uso de órgãos públicos para proteger interesses privados.
Com cifras bilionárias, articulação política e tentativas de silenciar a imprensa, o caso escancara a força de instituições religiosas na disputa por poder no Brasil — e como elas já influenciam diretamente decisões do Executivo e do Legislativo.
As denúncias feitas pelo Intercept deixa uma pergunta para que as autoridades respondam: – De onde vem o dinheiro da Igreja Iniversal? Porque as igrejas evangélicas continuam isentas de impostos? Até que ponto os pastores e a bancada evangélica influenciam no estado?



