Joice Hasselmann acusa Bolsonaro de ordenar ataque contra ela dentro de apartamento funcional em Brasília
Em entrevista à TV 247, ex-deputada federal e ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara relata agressões, denuncia suposta espionagem ilegal e questiona investigação policial que atribuiu seus ferimentos a uma queda.
A ex-deputada federal Joice Hasselmann, que ocupou a liderança do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, fez graves acusações contra o ex-presidente durante entrevista à TV 247. A ex-parlamentar afirmou acreditar que Bolsonaro teria ordenado uma ação clandestina contra ela dentro de seu apartamento funcional, em Brasília, em julho de 2021. Segundo Joice, o episódio deixou cinco fraturas na coluna, lesões no rosto e um dente quebrado. A acusação de que o ex-presidente teria determinado o ataque é uma alegação da entrevistada e não está comprovada.
Durante a entrevista, Joice descreveu momentos de violência que, segundo ela, ocorreram enquanto dormia sob efeito de um medicamento. A ex-deputada contou que sentiu um golpe no pescoço antes de perder a consciência e que despertou ensanguentada entre o banheiro e o quarto. Ela afirmou não conseguir reconstruir todos os acontecimentos daquela madrugada, mas disse acreditar que a ação foi executada por pessoas com treinamento especializado.
A ex-parlamentar relatou ter encontrado marcas de coturnos no apartamento e afirmou que os supostos invasores teriam utilizado pontos cegos do sistema de segurança do edifício para evitar a identificação. Segundo sua versão, o grupo teria acessado o imóvel pelas escadas, sem deixar impressões digitais. Joice também declarou acreditar que uma mulher integrava a equipe responsável pela suposta agressão, conclusão à qual teria chegado após realizar uma investigação particular.
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Joice atribuiu diretamente a Jair Bolsonaro a responsabilidade pelo episódio. A ex-deputada afirmou que passou meses reunindo informações até chegar à conclusão de que o então presidente teria ordenado a ação. Ela também mencionou uma possível participação de pessoas ligadas ao círculo político e familiar do ex-presidente, mas não apresentou, no trecho transcrito, provas documentais que sustentem essas acusações.
Joice também associou o episódio à chamada Abin paralela, estrutura clandestina de monitoramento que se tornou alvo de investigações sobre o uso indevido de ferramentas de inteligência durante o governo Bolsonaro. Segundo a ex-parlamentar, ela já vinha sendo monitorada ilegalmente antes dos acontecimentos de julho de 2021. A entrevistada afirmou acreditar que seus deslocamentos e comunicações eram acompanhados por integrantes dessa estrutura, embora a ligação entre esse suposto monitoramento e os ferimentos não tenha sido demonstrada.
A ex-deputada questionou ainda a investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, que concluiu, na época, não haver evidências de agressão por terceiros e atribuiu os ferimentos a uma queda da própria altura. Joice contestou essa interpretação, argumentando que a quantidade e a gravidade das lesões seriam incompatíveis com a versão apresentada pelas autoridades. Na entrevista, também afirmou que o caso teria sido arquivado durante a gestão de Anderson Torres na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
Outro trecho da entrevista envolve o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira. Joice afirmou que procurou o parlamentar para relatar suas suspeitas, mas teria sido advertida de que poderia perder o mandato caso fizesse acusações públicas sem apresentar provas. Segundo a ex-deputada, o receio de sofrer consequências políticas, somado à dificuldade de identificar os supostos responsáveis, contribuiu para que ela não tornasse públicas todas as suspeitas naquele momento.
As declarações de Joice Hasselmann trazem novamente ao debate público um episódio ocorrido durante seu rompimento político com Jair Bolsonaro. Apesar da gravidade das acusações, a conclusão policial conhecida sobre o caso diverge da versão apresentada pela ex-parlamentar. A entrevista não constitui, por si só, comprovação de participação do ex-presidente, de integrantes de sua família ou de agentes de inteligência em uma suposta agressão.
Além das acusações, Joice anunciou que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2026, apesar de manter divergências com o PT. A declaração foi confirmada em reportagem publicada pelo Brasil 247 nesta quinta-feira (22).



