Denúncia aponta interferência de Nunes Marques nas redes sociais às vésperas do segundo turno
Relato acusa ministro do TSE de preparar suspensão de canal ligado ao campo progressista e determinar mudanças na distribuição de conteúdos políticos pela Meta. Alegações ainda dependem de confirmação oficial.
A menos de 72 horas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para domingo (25), uma denúncia envolvendo o ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levanta questionamentos sobre a atuação da Justiça Eleitoral e a influência das plataformas digitais na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o relato divulgado nas redes sociais, o magistrado estaria preparando uma decisão para suspender um canal de comunicação associado ao campo progressista.
De acordo com o autor da denúncia, que afirma ter recebido informações de uma fonte do Judiciário, a campanha de Flávio Bolsonaro teria apresentado uma representação contra o canal. O ministro, por sua vez, teria solicitado à Meta um relatório detalhado, com prazo de 24 horas, para subsidiar uma decisão. O denunciante sustenta que a suspensão poderia ocorrer ainda nesta sexta-feira (23), apesar de declarações anteriores atribuídas ao magistrado de que o assunto estaria encerrado.
A acusação vai além da possível retirada do canal do ar. O relato afirma que Nunes Marques também teria determinado à Meta a retomada de políticas de distribuição de conteúdo anteriores às adotadas durante o primeiro turno. A suposta mudança poderia ampliar o alcance de publicações de personalidades políticas como Nikolas Ferreira, Tarcísio de Freitas, Sérgio Moro e Pablo Marçal, inclusive entre usuários que não acompanham diretamente seus perfis.
Na avaliação do denunciante, a combinação dessas duas medidas representaria um desequilíbrio na circulação de informações políticas durante os últimos dias da campanha. Enquanto um canal identificado com posições progressistas poderia ser suspenso, publicações de figuras ligadas à direita e à extrema direita teriam sua distribuição potencialmente ampliada. O autor considera que esse cenário, caso confirmado, poderia comprometer a igualdade de condições na disputa eleitoral.
O episódio também reacende o debate sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral na moderação de conteúdos e sobre a responsabilidade das plataformas digitais na recomendação de publicações políticas. Decisões envolvendo remoção de canais, impulsionamento e distribuição algorítmica de conteúdos exigem fundamentação jurídica, transparência e respeito à liberdade de expressão e às regras eleitorais.
Na quinta-feira (22), foi confirmada a determinação de Nunes Marques para que a Meta apresente, em 24 horas, um relatório sobre o canal Exército do Lula, administrado pelo deputado André Janones. A decisão atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. O canal já havia sido suspenso anteriormente e posteriormente reativado após decisões judiciais e regularização de seu registro.



