Medo da volta da família Bolsonaro ao poder cresce entre eleitores na reta final do segundo turno
Pesquisa Quaest aponta que Flávio Bolsonaro desperta mais temor entre os brasileiros do que Lula; disputa presidencial segue acirrada a quatro dias da votação
O medo de que a família Bolsonaro volte ao comando do Brasil ganhou destaque na reta final da disputa presidencial de 2026. Pesquisa Quaest, apresentada nesta quarta-feira (21), aponta que o receio de uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) é maior do que o temor de uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento revela um eleitorado dividido, em um cenário marcado pela polarização política, pela disputa de narrativas e pelas preocupações com os rumos da democracia brasileira.
A possibilidade de retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto reacende discussões sobre o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente em relação à condução da pandemia de Covid-19, aos conflitos com instituições democráticas e aos questionamentos dirigidos ao sistema eleitoral. Para uma parcela dos eleitores, a eleição de Flávio representaria não apenas uma alternância de poder, mas também o retorno de um projeto político associado ao bolsonarismo e às tensões institucionais que marcaram os últimos anos.
Segundo os números divulgados durante o programa do UOL, Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula, considerando os votos totais. A diferença de apenas um ponto percentual caracteriza um empate técnico. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem os nomes dos candidatos, ambos registram 40%. Apesar da pequena vantagem numérica de Flávio nas intenções de voto, o levantamento indica que o candidato do PL enfrenta rejeição superior à do atual presidente.
O cenário eleitoral também é marcado por uma disputa em torno da transparência e da abertura de sigilos bancários e financeiros. Lula propôs que os candidatos e seus familiares autorizassem a divulgação de informações protegidas por sigilo, ampliando a pressão política sobre Flávio Bolsonaro. Durante análise no UOL, o jornalista Josias de Souza avaliou que a iniciativa tem forte componente eleitoral e busca colocar o adversário em uma posição defensiva. A discussão ocorre em meio a investigações mencionadas no debate, cujas suspeitas precisam ser distinguidas de eventuais responsabilidades comprovadas.
A quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25), o medo aparece como um dos elementos da disputa pela Presidência. Embora o levantamento indique que o receio de uma vitória de Flávio Bolsonaro supera o temor de Lula, isso não significa que todos os entrevistados compartilhem as mesmas razões para rejeitar o candidato. O resultado das urnas dependerá também da mobilização dos eleitores, da capacidade dos candidatos de conquistar os indecisos e do comparecimento à votação. A pesquisa mostra que, além das propostas de governo, a percepção sobre os riscos de cada candidatura ocupa espaço importante na decisão dos brasileiros.



