Politica

Jaques Wagner critica tarifa dos EUA e diz que PIX incomoda gigantes financeiras americanas

Senador afirma que novo pacote tarifário tem motivação política, destaca superávit comercial dos Estados Unidos na relação com o Brasil e defende respeito à soberania nacional

O senador Jaques Wagner (PT) voltou a criticar a decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em entrevista concedida à Rádio Digital FM, de Alagoinhas, nesta quarta-feira (22), o parlamentar classificou a medida como uma iniciativa sem fundamento técnico ou comercial e atribuiu a decisão a fatores políticos.

Segundo Wagner, um dos principais motivos para a insatisfação norte-americana seria o sucesso do PIX, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil. Para o senador, a ferramenta revolucionou o mercado financeiro ao oferecer transações gratuitas e acessíveis à população, reduzindo o espaço das grandes operadoras internacionais de cartões de crédito.

“O PIX revoltou os americanos. Foi uma criação dos funcionários do Banco Central do Brasil, uma revolução nos meios de pagamento que inclui a população de A a Z a custo zero. As grandes empresas de cartões, a maioria americanas, perderam mercado. Eles não engolem que fizemos um sistema muito mais funcional e barato que o deles”, afirmou.

Além do sistema de pagamentos, Wagner disse que o Brasil tem adotado uma postura de defesa da soberania nacional que desagrada setores do governo norte-americano. Na avaliação do senador, o novo tarifaço representa uma resposta política, e não econômica, às decisões adotadas pelo país.

O parlamentar também rebateu argumentos de que as tarifas seriam justificadas por um suposto desequilíbrio comercial. Segundo ele, a balança entre Brasil e Estados Unidos favorece os americanos, que exportam mais para o mercado brasileiro do que importam produtos nacionais.

“O Brasil não é melhor nem pior do que ninguém. Nosso país não vai ficar pedindo arrego. O novo tarifaço não tem nenhum cunho técnico. O Brasil, na relação comercial com os Estados Unidos, tem um déficit. Ou seja, nós compramos mais deles do que vendemos para lá, gerando um saldo positivo para os americanos de cerca de US$ 7 bilhões por ano. Queremos ser respeitados”, declarou.

As novas tarifas ampliam a tensão comercial entre os dois países em um momento de crescente debate sobre políticas industriais, tecnologia financeira e soberania econômica. Enquanto o governo brasileiro busca minimizar os impactos sobre as exportações, integrantes da base governista defendem uma resposta baseada no diálogo diplomático e na preservação das relações comerciais.

Para Jaques Wagner, entretanto, qualquer negociação deve ocorrer sem abrir mão da autonomia do Brasil e do respeito às decisões estratégicas adotadas pelo país.

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