Porto da Barra terá boias para restringir embarcações, mas especialistas alertam que fiscalização será decisiva para garantir segurança
Prefeitura inicia implantação de sistema náutico em uma das praias mais movimentadas de Salvador, enquanto frequentadores cobram presença permanente dos órgãos de controle no mar
A Prefeitura de Salvador avançou na implantação de um sistema de sinalização náutica na praia do Porto da Barra, uma das áreas mais frequentadas da capital baiana. O projeto prevê a instalação de uma linha de boias marítimas para delimitar a área exclusiva de banho e impedir a circulação de embarcações motorizadas próximas à faixa de areia.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal do Mar, com licitação conduzida pela Secretaria Municipal de Gestão. O pregão eletrônico já foi homologado e a próxima etapa será a assinatura do contrato com a empresa vencedora, sediada em São Paulo, responsável pela implantação do sistema.
Segundo a titular da Semar, Maria Eduarda Lomanto, a medida busca criar uma convivência mais segura entre banhistas, esportistas e embarcações em uma das praias mais movimentadas da cidade.
As boias serão instaladas entre 80 e 100 metros da faixa de areia, criando um perímetro exclusivo para banho. Dentro da área delimitada, ficará proibida a navegação de lanchas, motos aquáticas e outros veículos motorizados.
A proposta surge após episódios recentes de embarcações invadindo áreas de banho em praias como Praia de Boa Viagem, Praia da Ribeira e o próprio Porto da Barra, levantando preocupação entre moradores, turistas e frequentadores habituais da orla.
Apesar do avanço no ordenamento náutico, especialistas do setor e frequentadores da praia avaliam que apenas a instalação das boias não será suficiente para garantir segurança sem fiscalização contínua e presença efetiva dos órgãos competentes no mar. A preocupação é que, sem monitoramento permanente, embarcações continuem desrespeitando os limites estabelecidos, principalmente durante fins de semana, feriados e períodos de grande movimentação.
O empresário Alexandre Jatobá, que atua no setor náutico e pilota jet ski há mais de uma década, afirmou que o balizamento pode ajudar no ordenamento da área e reduzir riscos de acidentes. Ele destacou ainda experiências semelhantes em locais como a Ilha dos Frades, onde medidas de controle contribuíram para melhorar a organização das atividades marítimas.
Além das boias, o projeto prevê instalação de poitas em concreto armado, barreiras marítimas e utilização de balsas para execução das operações no mar. O prazo estimado é de até 30 dias para conclusão dos serviços após assinatura do contrato.
A iniciativa inclui ainda a requalificação da rampa ao lado do Forte de Santa Maria, trecho que continuará permitindo acesso organizado de pequenas embarcações, canoas e praticantes de esportes náuticos.
Mesmo com a nova estrutura prevista, frequentadores do Porto da Barra defendem que a eficácia do projeto dependerá diretamente da fiscalização permanente, da aplicação de punições em casos de descumprimento e da presença constante de equipes de monitoramento marítimo para evitar que as regras existam apenas no papel.



